Na manhã da última terça-feira (14/8), centenas de estudantes paraenses se reuniram em frente à Escadinha da Estação das Docas, em Belém, para protestar contra o aumento das tarifas de ônibus no estado.

O ato foi marcado por uma caminhada que culminou em uma reunião com a diretoria geral da prefeitura de Belém. Durante o encontro, uma comissão de estudantes pediu que o ajuste da tarifa fosse reconsiderado em audiência pública. “O aumento foi deliberado no conselho de transporte do município sem a presença da sociedade civil. Queremos que o prefeito dialogue conosco”, explicou Rafael Costa, diretor da UNE no Pará.

O reajuste de R$2 para R$2,20, autorizado pelo prefeito de Belém no dia 30 de julho, vem causando enorme insatisfação na população. Para Rafael, o aumento não condiz com a realidade do transporte público oferecido na cidade. ‘’A qualidade é muito ruim, temos poucos ônibus e o trânsito é caótico’’, contou.

Segundo a prefeitura, uma nova reunião será realizada na próxima terça-feira (21),com o intuito de deliberar sobre as reivindicações.

‘’O diálogo é o que sempre quisemos, ouvir e ser ouvidos. Para nós, esse é um passo muito importante para um acordo, para termos voz ativa nessas decisões que afetam nossas vidas’’, finalizou Rafael.

PROTESTO TERMINA EM AGRESSÃO

No último dia 9, cerca de 500 estudantes protestavam contra o aumento abusivo no valor da passagem de ônibus, quando a guarda civil metropolitana começou um confronto disparando balas de borracha, bombas de efeito moral e spray de pimenta para coibir a manifestação. Na ocasião, diversos estudantes saíram feridos.

Para a presidente da União Acadêmica Paraense (UAP), Tamara Figueiredo, essa foi uma atitude totalmente truculenta. ‘’ “Ao chegarmos na prefeitura, fomos recebidos com bombas de gás lacrimogênio, balas de borracha, e spray de pimenta. Vários estudantes foram feridos, alguns gravemente. Mesmo tendo corrido e nos afastado da prefeitura implorando para que eles parassem com a violência, eles ainda correram atrás da gente atirando e jogando bombas de gás. Este tipo de atitude mostra a indecência por parte da prefeitura, que trata estudante como se fosse bandido e governa para os empresários de ônibus, não para a população”, lamentou.

Renata Bars