Muros, bueiros e becos fazem parte do cotidiano de quem vive nas cidades e, não raramente, tornam-se imperceptíveis aos olhos apressados dos transeuntes urbanos. Porém, quando estes mesmos muros, bueiros e becos ganham uma nova roupagem, passam de alguma maneira a interferir na rotina das pessoas que ali vivem.
Com olhar atento a essas formas de transformação do mundo, a 8ª Bienal promoveu na tarde desta quarta-feira (23) um debate sobre intervenções urbanas e arte pública nas grandes cidades. Entre os convidados, estavam os artistas plásticos e grafiteiros pernambucanos, Derlon Almeida e Galo de Souza, a socióloga e pesquisadora Raíza Cavalcanti e a jornalista e também artista plástica Eva Duarte.
‘’A intervenção urbana provoca uma quebra, uma reação, uma ruptura. É uma maneira de entender o caráter político, da arte como uma intervenção na cidade, de uma nova vivência’’, comentou Raíza.
Para Galo de Souza, o papel da intervenção é o de criticar e expor pensamentos. ‘’É uma forma de se fazer uma crítica lírica e ao mesmo tempo livre. Não importa a religião, a política ou o sexo. O importante é se expressar’’, falou.
Utilizar a cidade num sentido mais artístico, aproximando a arte da vida e as pessoas da arte foi tema central do debate.
Para Derlon Almeida, a intervenção urbana é importante porque modifica o pensar da cidade. ‘’Acabamos interferindo no dia-a-dia das pessoas e essa comunicação é bastante importante’’, ressaltou.
As cidades são planejadas como um conjunto de relações que são também conectadas por ações sociais, políticas, econômicas, culturais, históricas e estéticas. As intervenções urbanas fazem com que os centros urbanos deixem de ser locais neutros. Com a arte, sua identidade torna-se mais visível.
‘’Mexer na cidade é deixar a sua marca em determinado espaço. E esse espaço passa a deixar as suas outras marcas e impressões naqueles que o utilizam’’, explicou Eva.
Renata Bars