“Aquele que transforma as palavras em versos transforma-se em poeta; aquele que transforma o barro em estátua transforma-se em escultor; ao transformar as relações sociais e humanas apresentadas em uma cena de teatro, transforma-se em cidadão”. Nas palavras do próprio Augusto Boal podemos definir a ideia central do Teatro do Oprimido.

Adentrando o universo do método, a mestranda da UFPE, Emanuelle Pontual ofereceu na manhã desta quinta-feira (24),  um minicurso na Universidade de Olinda para estudantes vindos de vários cantos do país.

Depois de um período exilado pelo regime militar, o ensaísta se dedicou a pesquisar formas teatrais que pudessem ser utilizadas como instrumento de transformação, oferecendo condições para os participantes produzirem também cultura e conhecimento. “O teatro de Augusto Boal não foi inventado, foi descoberto por meio da cultura popular”, apontou Emanuelle.

Aguçando a criatividade dos estudantes, ela propôs uma sucessão de exercícios teatrais extraidos dos livros de Boal, oferecendo o desenvolvimento da percepção,  sensibilidade e criatividade. Suas técnicas são trabalhadas também nas áreas de educação, saúde mental e no sistema prisional.

As vivências sugeridas por Boal propiciaram aos estudantes a liberdade sensorial, buscando a sensação vivida nos primeiros anos de vida do indivíduo, quando os cinco sentidos são mais aflorados que as palavras.

A oficina atraiu o interesse não apenas de estudantes do curso de artes. Acabias Marques, do curso de Ciências da Computação da Universidade Federal de Mato Grosso, era um deles que, mesmo não tendo contato direto com o universo teatral, resolveu participar do processo. ” Eu sempre me encantei com a coisa do teatro, as apresentações. Achei bacana ter esta oportunidade de aprender um pouco de Teatro do Oprimido e conhecer vários outros estudantes de diversas regiões do país”, conta.

Thatiane Ferrari