Sou estudante da UFES e militante do movimento estudantil, acredito que o processo de construção e disputa da sociedade também acontece na universidade. Sendo assim, defendo a greve dos docentes e técnicos administrativos por melhores planos de carreira e em defesa da educação. Entretanto, mais do que ser a favor do direito de greve, enxergo a greve como um momento de repensar a universidade e repensar o caráter da educação que temos.
A greve é forte, está em todas as universidades federais do país e é um momento em que todas as categorias juntas devem construir os rumos da educação no nosso país. A greve deve ser um instrumento para a universidade se pintar de povo, um momento de conscientização em que o Comando de Greve precisa reinventar os espaços de decisões com grandes debates para encher a universidade de movimento, caso contrário, a chamada Greve de Pijama ganhará força.
É necessário urgentemente que os estudantes aproveitem esse momento para dar voz aos muitos gritos, angústias e opiniões expressadas no dia-a-dia do semestre para que a universidade seja mais democrática, pública, que respeite a diversidade e que reavalie o seu modelo tecnicista.
Nós comemoramos a unificação do Comando de Greve e lutamos para que as reivindicações não se encerrem em planos, cargos e salários.
É preciso construir nesse momento grandes pactos entre as três categorias – docentes, técnicos e estudantes, para que haja uma mesa permanente de diálogo entre si para depois da greve. Esse momento deve reforçar o caráter de unidade para irradiá-lo às demais instâncias da universidade como os Conselhos Superiores, Câmaras Departamentais, de Colegiados e tantas outras.
O momento da greve, deve se desenvolver de forma a consolidar todas as pautas reivindicações e lutas para implantá-las e apresentar mudanças coletivas posteriormente.
A greve na universidade é o momento que temos em mais de 10 anos para avaliarmos as reformas, expansões e ampliações de investimento que as Instituições de Ensino Superior Público sofreram nestes últimos anos e buscar por parte do governo o comprometimento em solucionar todos os novos gargalos.
É preciso concluir imediatamente todas as obras do REUNI bem como contratar novos professores. É fundamental a ampliação da Assistência Estudantil e o aumento no investimento! A nossa luta é por uma universidade construída com novos olhares e com paridade nas instâncias de decisões da Universidade!
Pedro Barcelos é estudante da UFES e do C.A de Matemática da universidade