Ver o nome do seu grupo de teatro publicado na lista de selecionados para a 8ª Bienal da UNE, maior festival estudantil da América Latina, foi motivo de comemoração para os oito trabalhos escolhidos. Vindos de vários lugares do Brasil, eles mostraram que, cada dia mais, a produção cultural produzida dentro das universidades vem aumentando, gerando assim uma grande concorrência.
“Percebemos a capacidade criativa, técnica e plural de cada trabalho inscrito, porém buscamos selecionar para a Bienal os espetáculos que dialogassem com o tema do festival ou que tivessem uma veia nordestina”, revelou o coordenador de Artes Cênicas do festival, Cadu Lima.
Neste ano, o grande homenageado da área teatral do festival é o dramaturgo e romancista Ariano Suassuna. Dono de uma aguçada percepção cultural acerca dos temas populares, Ariano possui em sua carreira uma extensa lista de títulos que o colocam hoje como o grande homem de teatro nordestino.
“A Pedra do Reino”, “A Pena e a Lei” e “O Auto da Compadecida”, que foi adaptado também para o cinema, são alguns dos trabalhos mais expressivos deste artista que tão bem sabe retratar e fortalecer as raizes do povo do sertão.
Vindo do Norte, o Grupo Universitário de Artes Cênicas “Nóis da Casa” da Universidade Federal do Acre, resolveu adentrar ao universo de Suassuna, escolhendo o texto “O Santo e a Porca” para ser encenado. Adaptado da comédia latina Aulularia, de Plauto, o espetáculo conta a história de Eurição Engole-Cobra, um homem avarento e cego por dinheiro, que deposita a proteção de sua porquinha nas mãos de Santo Antonio.
” É o terceiro ano que tentamos participar de alguma atividade da UNE, porém por questões econômicas e logísticas nunca acontecia. Sempre que passávamos em festivais , não conseguiamos sair. Desta vez conquistamos um auxílio da UFAC para avião e trouxemos o espetáculo com o cenário adaptado”, conta a diretora do espetáculo Valeska Alvim.
Já a Bubuia Companhia de Teatro, da UNIRIO mesmo estando longe geograficamente, é uma grande admiradora da cultura nordestina. Em sua essência, o grupo trabalha com elementos da região, utilizando-se das vestimentas, danças folclóricas e canções repentes.
Com o espetáculo “Entre o Amor e a Espada”, a companhia conta a história de amor de José e Raquel, saída do universo dos cordéis. Apesar de puro e profundo, o amor do jovem casal é brutalmente interrompido por questões familiares. O drama começa quando José se vê obrigado a retaliar uma briga entre os dois maiores generais da cidade: seu pai, e o pai de sua amada Raquel.
Para o integrante do espetáculo, Igor Veloso, a ideia do grupo é sugar de todas as maneiras a cultura local. “Sempre estudamos a cultura pernambucana e vir aqui apresentar o espetáculo foi maravilhoso. Vamos aproveitar com certeza toda a programação e participar de algumas oficinas de cultura popular oferecidas pelo festival”, garantiu.
“Me sinto contemplado por trazer para Olinda um conteúdo tão rico como a mostra de cênicas da 8ª Bienal da UNE”, finalizou Cadu.
Thatiane Ferrari