Na mesma semana em que estudantes de 24 estados armaram acampamento em Brasília com o objetivo de acompanhar a tramitação do Plano Nacional de Educação (PNE) e pressionar sua aprovação ainda este ano, a União Paranaense dos Estudantes (UPE), a União Paranaense dos Estudantes Secundaristas (UPES) e diversas outras entidades do movimento social paranaense ocuparam, na manhã de segunda-feira (5), a Assembleia Legislativa do Estado do Paraná (ALEP) com a chamada #OcupeAssembleia.

O grupo de 300 pessoas protestava contra o projeto do governador Beto Richa (PSDB) que regulamenta a contração de Organizações Sociais (OS) para gerir serviços que hoje são de responsabilidade do estado, como a administração de hospitais e sindicatos de servidores públicos. O projeto estava programado para ser votado na tarde de segunda-feira (5).

A manobra

Por volta das 17h, os manifestantes entraram no plenário e rasgaram a ordem do dia. Depois da sessão ser suspensa, o presidente da Casa, Valdir Rossoni (PSDB), decidiu retomar a votação no “plenarinho” da Assembleia, em sessão fechada.

Cerca de 50 policiais à paisana, além de outros 20 seguranças, bloquearam as duas entradas do local, que permaneceram fechadas inclusive para a imprensa.

Os estudantes, que inicialmente se negavam a deixar o plenário caso o projeto não fosse retirado de pauta, saíram somente depois de saberem que a sessão havia recomeçado, por volta de 21h. Cerca de 30 minutos depois, quando o plenário estava desocupado, a sessão voltou a ser realizada no local. O projeto passou por 48 votos contra apenas quatro.

Para os estudantes da UPE, a proposta é uma forma de “privatizar” o Estado e aumenta a possibilidade de eventuais irregularidades em convênios com ONGs. Para eles, a melhor forma de sustentar este debate é o estado promover uma discussão ampla com a sociedade.

“Os estudantes saíram da Assembleia, pois não houve acordo no momento. Queríamos que acontecesse, assim como a primeira dama prometeu, uma discussão com a população, uma Audiência Pública. Mesmo depois dos estudantes levarem cassetadas, choques, e saírem da ALEP devido a presença de cerca de 50 policiais a paisana, sem farda, pra reprimir e colocar os estudantes pra fora, a votação foi realizada de maneira antidemocrática. Não vamos esmorecer, vamos nos movimentar e continuar na luta”, explicou Rafael Bogoni, presidente da UPE.

#ContraaPrivatização

Aproveitando a onda do #OcupeBrasília, que ficou em segundo lugar nos Trendings Topics Brasil da rede social Twitter, as entidades estudantis do Paraná promoveram ontem (6) o tuitaço com a hashtag #ContraaPrivatização.

A mobilização deu certo e levou para todos os cantos do país a mensagem da manifestação. Foram registrados mais de 600 tuites com a palavra de ordem, além de outras hashtags como #ForaRicha.

 Paralelamente às movimentações nas redes sociais, houve em frente a ALEP uma grande manifestação contra a manobra do governo. Os estudantes irão se reunir nesta  sexta-feira (9) para deliberar os próximos passos do #OcupeAssembleia.

Para mais informações, acesse: http://upepr.blogspot.com/

Da Redação