A mobilização de estudantes na Universidade Gama Filho (RJ), nos últimos anos, tem se tornado um dos símbolos da luta nacional contra a situação de abusos e descasos do ensino superior privado brasileiro. Mantida pelo “tubarão” de mercado Galileo Educacional, a instituição teve sua reitoria ocupada no último dia 15, inicialmente por alunos do seu curso de medicina, depois por diversos outros estudantes e movimentos sociais do estado.

A Gama Filho deve salários e acordos com professores há meses, cortou investimentos em infra-estrutura, salas, laboratórios, não apresentou programas de assistência estudantil, não colabora com a transparência de suas planilhas de lucros, não garante a segurança adequada da comunidade acadêmica e nega-se, há muito tempo, a abrir negociação democrática com alunos, professores e funcionários. A gota d’água foi o atraso de pagamentos e o descumprimento de contratos para estágios e residências com hospitais do estado.

Segundo a presidente da União Estadual dos Estudantes do Rio de Janeiro (UEE-RJ) Tayná Paolino, a situação da Gama Filho chegou ao seu estado mais grave: “A ocupação mostra a grande falta de diálogo da instituição com estudantes, professores e funcionários”, pontuou. A Gama Filho, nos últimos seis meses, chegou a enfrentar duas greves de professores pelo não cumprimento de salários.

Assista ao vídeo do momento da ocupação:

DENÚNCIAS PELO FACEBOOK

O movimento estudantil criou uma espécie de central de denúncias de irregularidades da Gama FIlho e do grupo Galileo pelas redes sociais. Através de uma página no Facebook, alunos, professores e funcionários podem apontar qualquer problema vivenciado na instituição. A página, que em pouco tempo já ganhou milhares de curtidas na rede, pode ser acessada aqui:

https://www.facebook.com/DenunciascontraGamaFilhoPiedade?hc_location=timeline

CPI DAS PARTICULARES NO RIO

Para a UEE-RJ, a ocupação da Gama Filho e os problemas apresentados pela universidade poderão reacender o processo da CPI do ensino particular no estado, cujo relatório final precisa ser votado em plenário na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). “Precisamos colher frutos de toda essa mobilização que possam interferir diretamente na realidade de toda a rede privada do Rio de Janeiro.”, defende a presidente da entidade.

A CPI foi criada em junho de 2012 para investigar diversas denúncias ligadas a insituições do estado como a falta de pagamento de salários a funcionários, aumentos abusivos de mensalidades e o assédio moral a docentes e alunos. O relatório final foi apresentado no mês de abril com o indiciamento de seis pessoas, diversas irregularidades e crimes apontados, desde o lucro abusivo até a venda de diplomas.

 Artênius Daniel