No último dia 02, cerca de duzentos estudantes liderados pela UNE e UEE-RJ ocuparam durante seis horas o prédio do Grupo Galileo Educacional, recente comprador das Universidades Gama Filho e UniverCidade, em apoio àgreve dos professores que estão sem receber seus salários desde o início do ano.

A ocupação ocorreu a partir das 20h, e foi fruto de uma passeata em frente ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, na qual os estudantes protestaram contra as demissões, atrasos nos pagamentos de docentes e funcionários que acabaram culminando em mais de quatro semanas sem aulas.

Para o presidente da UNE, Daniel Iliescu, presente na ocupação, a entidade juntamente com a União Estadual dos Estudantes do Rio ocupou o prédio em defesa da qualidade da educação.”Precisamos fazer pressão para que os salários sejam pagos e também para que o Ministério da Educação regulamente o ensino privado, trazendo mais democracia, mais transparência para esse setor”, declarou.

Por volta das 22h, o pró-reitor da UniverCidade, Felipe Braga, chegou aoprédio para negociar a saída dos alunos que exigiam uma reunião com representantes do grupo. A exigência foi atendida e, às 23h40 o encontro começou. Com duas horas de duração e a presença de dois seguranças, a reunião proporcionou aos representantes dos alunos e professores a oportunidade de expor suas insatisfações e exigir respostas da instituição.

Os representantes do grupo Galileo, Felipe Braga e Wanderley Cantieri,  informaram que os salários de abril serão pagos até o próximo dia 9 de maio, porém não quiseram estabelecer prazo para o depósito do restante dos pagamentos.

Às duas da manhã, os estudantes deixaram o prédio com a promessa de quea situação será regularizada em breve.

A greve dos professores continua até que os pagamentos sejam realizados.

UNE PELA REGULAMENTAÇÃO DO ENSINO PRIVADO

A UNE defende um projeto de ensino de qualidade e democrático parao Brasil. Mirando esse objetivo, tem como principal campanha a destinação de maiores investimentos, 10% do PIB e 50% do Fundo Social do pré-sal, para educação. Porém, ainda há uma grande defasagem do ensino brasileiro, emespecial o ensino privado. Para o presidente da UNE, Daniel Iliescu, a principal medida para defender a qualidade do ensino superior privado é uma regulamentação específica: ‘ É preciso haver transparência na planilha financeira das instituições, critérios justos para o reajuste de mensalidades,além da qualidade do corpo docente. Tais conquistas só serão possíveis quando o ensino privado for devidamente regulamentado no país’’, declarou.

Renata Bars