
Com o objetivo de complementar as atividades oferecidas pelo Circuito UniverCidade nos 12 municípios percorridos, a programação artística da caravana demonstra, em cada parada, sua importância como papel cultural na rotina dos cidadãos: abre mentes, expande corações e possibilita, através das emoções, a reflexão do público sobre a sua influência na sociedade.
Pesquisador de longa data da música afro-brasileira, conhecedor dos mistérios do ofício milenar da percussão, poeta e compositor. Ao longo de mais de meio século de carreira, Mestre Lumumba esteve presente nas duas primeiras etapas do circuito da UEE-SP: Santos e São José dos Campos. Benedito Luiz Amauro, filho de Ogum, tornou-se Lumumba em homenagem ao libertador do Zaire, Patrício Lumumba.
Lumumba expressou, em uma conversa longa e descontraída, seu posicionamento militante em relação às dificuldades não só das cidades, mas do desenvolvimento geral do país em termos políticos, culturais e educacionais.
Em sua visão, o jovem possui todos os recursos para se tornar referência na sociedade e mudar o mundo, mas falta informação pertinente do Estado através de suas redes de ensino e estímulo para gerar interesse aos estudantes nos assuntos que envolvem sua casa, seu bairro, sua cidade, seu país.
“Vivemos em uma época antirrevolucionária, onde os jovens em vez de militar a favor da mudança obedecem aos pais. Essa época já foi, quando eu era adolescente. Hoje em dia falta inteligência ao jovem para discernir o que é bom e o que não é para seu espaço de convívio, falta interesse em sair da área de conforto”, manifesta.
Em palavras sucintas, afirma que “o poder está no conhecimento”, isto é: os jovens devem aproveitar todo o investimento que os pais os proporcionaram ao longo de seu crescimento para se informarem a respeito da sociedade em que vivem e acionarem o seu papel como atores sociais.
Em sua terra, Mestre Lumumba é um dos responsáveis por intermediar uma oficina de tambor, cujo objetivo é fazer uma introdução aos ritmos brasileiros de raiz, a começar pelo “semba” – ritmo percursor do samba.
“O semba é um toque de tambor ligado ao culto da ancestralidade feminina, por isso o samba mexe muito as cadeiras, assim como o maxixe, xaxado, baião. A questão não está na música, mas no toque, voltado para entidades femininas”.
Um exemplo de situação onde fica clara a dificuldade do jovem em expandir seus paradigmas está nas mulheres. “Elas vivem no século XXI, mas possuem mentalidades tão tradicionais quanto à de suas avós, que sim, estão à frente no trabalho, mas continuam a reportar-se aos maridos como mulheres inseguras e submissas. Mulheres estas que, contrariamente às avós, tomam pílulas para não mais menstruar e não sabem mais rebolar”.
Lumumba acredita que o Circuito UniverCidade é uma iniciativa que chegou para mobilizar os estudantes, fazendo com que haja mais interesse em mudar a cara do Brasil e construir um país mais humano, mais saudável e mais íntegro de si.
Mayara Monteiro, de São José dos Campos.
Foto: Leo Souza