O Largo Itabira, um dos espaços da 9ª Bienal da UNE na Fundição Progresso, ficou pequeno na tarde desta segunda-feira (2) para receber os estudantes no debate intitulado “A língua em 140 caracteres”.
A atividade teve como convidados o criador da personagem virtual Dilma Bolada, Jeferson Monteiro, e a representante do Mídia Ninja Raíssa Galvão.
Abrindo o debate, Raíssa falou sobre as novas perspectivas que as redes sociais trazem para a comunicação.
“As redes mudaram aquela velha lógica unilateral do jornalismo. Agora temos uma via de mão dupla. A ampliação das vozes pede que a linguagem usada seja simples. Só assim conseguimos criar uma relação com todo tipo de espectador, seja sua prima de 12 anos ou sua tia de 63.”
O uso de plataformas digitais como meio de engajamento, interação e expressão política também estiveram em debate.
“Brinco que as redes sociais são a nova Praça Sete [região central de Belo Horizonte]. Sou mineira, e em BH essa praça é usada para manifestações populares. As redes são um novo espaço de manifestação com um potencial difusor enorme. Cada perfil acaba virando um meio de comunicação’’, disse Raíssa.
BOLADO
Jeferson Monteiro compartilhou suas impressões sobre a linguagem de cada plataforma. “O Instagram é mais visual, no Twitter temos a velocidade, falar sobre aquilo que é interessante agora, enquanto no Facebook podemos ter uma mesma notícia sendo repercutida por uma semana”, disse.
Para ele, escrever um título interessante e chamativo vale muito mais do que escrever longos textos.
“Estamos vivendo um momento em que as pessoas compartilham a chamada e não leem a notícia. É uma época de velocidade, de linguagem simples. De que adianta ficar utilizando linguagens rebuscadas que as pessoas não entendem?’’, indagou.
Da platéia, a estudante Ananda de Oliveira aprovou o debate. “São opiniões de referência pra nós, militantes das redes. Acabamos enxergando que disputar a atenção da população e da juventude no meio da grande mídia e setores conservadores é um desafio para todos. Senti-me contemplada com as falas”, concluiu.
Da Redação