“A religiosidade como elemento da identidade do povo nordestino” foi um dos temas debatidos nesta quarta (23) na FOCCA (Faculdade de Olinda) durante o primeiro dia de atividades da 8ª Bienal da UNE. Mãe Beth de Oxúm, do Terreiro de Umbigada e o músico pernambucano Silvério Pessoa foram os convidados para discutir o assunto com jovens de todo o país.
Para Beth a religiosidade e a identidade do povo pernambucano está representada no coco, no samba da criola, no frevo, no maracatu, no cavalo marinho, na ciranda, no afoxé, na sambada. “Nossa matriz é afro-indígena juremeira (caboclos que vêm da influencia indígena, mas que perpassam a africana)” explicou. Mas apesar de toda a riqueza e referência cultural para o país “nossa música não toca nas nossas rádios”, afirmou. E foi incisiva:: “ Discutir identidade é discutir resistência”.
Silvério também é estudioso da religiosidade. Para ele, as novenas, ladainhas, cantigas, romarias, procissões, Padre Cícero, formaram toda uma mitologia que transcendeu até para uma cultura política na região.
O músico questionou ainda como a religiosidade popular resiste ao processo de globalização. “Impressiona a pré-disposição que não só em Pernambuco ou no Nordeste, mas em toda a humanidade, existe na insistência de se expressar com o sagrado, mesmo não praticando a religião”, destacou.
No debate entre os estudantes ficou claro como as questões de fé são importantes para a cultura dos jovens independente da região do país. Os sincretismos e diversas manifestações religiosas são assuntos importantes para a Bienal da UNE. Desde 1999, quando foi criado, em todas as suas edições o festival busca temas para refletir sobre a formação do povo brasileiro.
Cristiane Tada