Dar uma rápida volta pelo complexo da Praça do Carmo, em Olinda, espaço onde está acontecendo a 8ª Bienal da UNE, é como visitar por alguns instantes diversos pedacinhos do Brasil. O céu azul e o sol forte contemplam os rostos dos quase dez mil estudantes que vieram prestigiar o festival.

É possível, por exemplo, encontrar um índio caminhando pela praça. Niotxaru Pataxó tem 22 anos e veio prestigiar pela primeira vez a diversidade cultural do evento. Morador da Costa do Descobrimento, na Bahia, Niotxaru viajou por 32 horas  e ao chegar na Bienal descobriu que o motorista do ônibus ainda não havia recebido o dinheiro pela viagem. ‘’Foi uma confusão. Tivemos que pagar o motorista e ficamos sem dinheiro pra ficar no festival. Agora vendemos artesanato pra conseguir o almoço’’, contou.

Todo esse perrengue parece não desanimar essa galera. ‘’Quando estamos aqui acontece tanta coisa boa, todo mundo é tratado como igual, tem atrações pra todos os gostos, nem parece real. Tudo isso traz um grande alívio, nem dá pra lembrar do stress da viagem’’, revelou.

A estudante de artes visuais Maísa Maranhão, veio da cidade de mesmo nome, São Luís do Maranhão, como uma das selecionadas para a mostra de artes visuais. Após viajar por mais de quarenta horas, ela diz que apresentar seu trabalho no evento é uma honra. ‘’Essa foi a minha primeira viagem e sair do meu estado através dos estudos, da universidade é gratificante. Participar das palestras, do forró, assistir ao show da Elba Ramalho é uma oportunidade sem igual’’, contou.

Os estudantes baianos Uarley Souza, Helder Dias e Robertson Nunes se encontraram na Bienal e acabaram montando um time de futebol. ‘’Tem baiano, carioca e até mineiro no time, tem jogadores de todos os tipos e todos os pesos’’, brincou Robertson. Apesar do pouco entrosamento, o time dos garotos venceu sua primeira disputa. ‘’Estava muito calor mas nós conseguimos ganhar.  Participar das atividades tem sido realmente motivante’’, falou.

E  a Bienal recebe mais do que o Brasil.  As estudantes argentinas Sonsoles Segovia e Lucia Converti vieram de Buenos Aires para participar das atividades. ‘’Estamos gostando muito do clima, da cidade e principalmente da união promovida por todos aqui. O encontro com a cultura de todo o Brasil, o desenvolvimento artístico, a música que embala essa experiência são fantásticos, contou uma Sonsoles empolgada ao som do forró que ecoava aos quatro cantos da praça.

A Bienal acontece até o dia 26/01, na cidade de Olinda, em Pernambuco.

Renata Bars Foto: Adolfo Sonteria