As lideranças estudantis realizaram mais um protesto na manhã desta segunda-feira contra o reajuste das tarifas do transporte público na Região Metropolitana de Recife (Pernambuco), que começou a vigorar desde ontem, dia 23 de janeiro. Assim como na última sexta-feira (20/01), a tropa de choque reprimiu violentamente a manifestação e muitos estudantes saíram feridos.
A concentração começou por volta das 8h, no colégio Ginásio Pernambucano, no bairro da Boa Vista. De lá, cerca de 400 manifestantes marcharam segurando flores pelas as ruas do centro de Recife. O objetivo era fazer uma manifestação pacífica pela redução no valor das passagens de ônibus, que sofreu um aumento de 6,5%.
“Queríamos um ato de paz. Não estamos aqui para bater de frente com ninguém, muito menos queremos que nossa liberdade de expressão seja transformada em pancadaria. Estamos nos mobilizando por uma causa maior”, disse o presidente da União dos Estudantes de Pernambuco (UEP), Thauan Fernandes.
Por volta do meio dia, a tropa de choque iniciou o enfrentamento com os estudantes, disparando bombas de efeito moral, de gás lacrimogêneo e spray de pimenta. Muitos estudantes se feriram e a multidão se dispersou. “Eles começaram o enfrentamento por que os estudantes estavam na rua, segundo eles, ‘atrapalhando o trânsito’”, relatou o presidente da UEP.
Por meio da assessoria de imprensa, a Polícia Militar informou que já estava ciente do protesto e que estava organizando formas de atuação para coibir qualquer desvio de conduta por parte dos manifestantes.
Apesar da iniciativa violenta e truculenta da polícia, os estudantes pretendem continuar a luta. “Não vamos desistir. Estamos elaborando outras formas de reivindicação e vamos continuar na luta até que se confirme a diminuição dos números e tenhamos coletivos com acessibilidade e qualidade”, justificou Thauan.
Camila Hungria