O relatório final da CPI das Universidades Privadas da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (ALERJ), que pode punir parte dos responsáveis pela crise do setor no estado, segue para votação ainda na tarde desta terça-feira (20/8 ) no plenário da Casa. A CPI foi instaurada em agosto de 2012 como resultado de diversas manifestações estudantis ao longo do ano.

Na ocasião, estudantes da Gama Filho (UGF) e da UniverCidade, ao lado da União Estadual dos Estudantes do Rio de Janeiro (UEE-RJ), protestaram continuamente contra o sucateamento das instituições, pedindo melhorias de infraestrutura, professores bem pagos e qualificados.

Dentre os apontamentos do texto, estão a intervenção imediata do MEC na UniverCidade e na Universidade Gama Filho, a não participação de instituições com problemas trabalhistas nos programas públicos de bolsas, a implementação de um tributo específico para a criação de um fundo de pesquisa para o ensino à distância e a proibição de sociedades anônimas serem mantenedoras de universidades.

Os possíveis indiciados junto ao Ministério Público que constam no relatório são Candido Mendes e Alexandre Kazé, da Universidade Candido Mendes (Ucam), Márcio André Mendes Costa, que atuou como controlador do Grupo Galileo – que administra as universidades Gama Filho e UniverCidade – entre 2010 e 2012, Rui Muniz, da Universidade Santa Úrsula e o diretor presidente da companhia Kroton Educacional, Rodrigo Calvo Galindo, assim como seu vice-presidente de Operações, Igor Xavier.

Por meio das redes sociais, alunos da UGF e da UniverCidade marcaram um ato público em frente à Alerj no mesmo momento da votação do texto para pressionar os deputados e conquistar a aprovação.

Para o ex- presidente da UEE-RJ, Igor Mayworn, o relatório é positivo, pois pretende acabar com os desmandos atuais. ‘’Hoje, as mantenedoras fazem o que bem entendem com as instituições. Com a aprovação do documento será possível acabar com essa lógica de impunidade’’, contou.

DOIS ANOS EM CRISE

A crise nas universidades privadas cariocas começou após o Grupo Galileo Educacional comprar a Gama Filho e UniverCidade em meados de 2011. Em dezembro do mesmo ano, o grupo demitiu cerca de 800 pessoas, entre professores e funcionários, e ainda não pagou seus direitos trabalhistas.

Logo após, houve um aumento abusivo na mensalidade. Os reajustes variavam entre 18% e 40%, indo bem acima dos 5,9% determinados pela taxa de inflação da época.

Atualmente, os estudantes da UFG ocupam a reitoria da instituição. Os 18 mil alunos que estudam na UGF, temem a possibilidade de fechamento da instituição e não concluírem seus cursos.

Da Redação