As centrais  sindicais – Força Sindical, CUT, CTB, CGTB, NCST e UGT – junto aos movimentos sociais e estudantil se preparam para uma grande manifestação amanhã (17/01) e quarta-feira (18/01) no Rio de Janeiro e em São Paulo, respectivamente, pela redução acelerada da taxa básica de juros (Selic). Os atos aproveitam o início do primeiro encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) em 2012, que acontece a partir desta terça-feira.

A manifestação no Rio acontecerá em frente à sede do Banco Central, na região central da capital fluminense. Em São Paulo, o ato reunirá os manifestantes a partir das 10h, em frente à sede do Banco Central, na Avenida Paulista.

Atualmente, o Brasil tem a taxa de juros mais alta do mundo, hoje em 11,5% ao ano. Em termos reais (descontada a inflação), a taxa básica de juros do Brasil é de 5,5%, cinco vezes e meio maior que a taxa da Rússia (1,0%), a segunda maior entre os países do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Diminuir os juros implica, entre outras coisas, diminuir a dívida pública do país, o que aumentaria a capacidade do país de investir em outros setores.

“Queremos um país da educação, do trabalho e da produção, não um país que todo mundo vem para especular e ganhar dinheiro”, afirmou o presidente da UNE, Daniel Iliescu, reivindicando a “redução imediata da taxa de juros do país” e destacando que essa bandeira de luta recebe apoio da UNE, UBES, das centrais sindicais e dos movimentos sociais.

“Vamos pressionar para que o Copom mantenha a política de redução da Selic. Baixar os juros funciona como um estímulo para a criação de novos empregos e para o aumento da produção no país”, disse Paulo Pereira da Silva, presidente da Força Sindical. O diretor jurídico da UNE, Renan Alencar, vai além: “Para se ter uma ideia, em 2010 o Brasil pagou R$ 45 milhões de dívida pública e investiu R$ 5 milhões em educação”. 

Em agosto de 2011 Copom reduziu 0,5% ponto porcentual da taxa Selic

Em agosto do ano passado (2011), aconteceu a primeira redução da taxa Selic, quando o Copom cortou 0,5 ponto porcentual. Essa redução aconteceu após uma grande marcha que a UNE organizou em Brasília, contando com a presença de mais de 12 mil estudantes, entre eles, a chilena Camila Vallejo. Na ocasião, os estudantes fizeram um ato simbólico e lavaram com água e sabão a rampa da entrada do prédio do BC. Em outubro, houve novo corte de 0,5 ponto percentual.

Saiba mais sobre a taxa Selic

A taxa Selic, o instrumento primário de política monetária do Copom, é a taxa de juros média que incide sobre os financiamentos diários com prazo de um dia útil (overnight) lastreados por títulos públicos registrados no Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic). O Copom estabelece a meta para a Selic, e cabe à mesa de operações do mercado aberto do Banco Central manter a taxa diária próxima à meta. Ela foi criada em 1979 para tornar mais transparente e segura a negociação de títulos públicos.

A dívida pública brasileira é gigantesca e a Selic é uma forma do estado brasileiro compensar seus credores pelo risco de emprestar ainda mais dinheiro ao governo – a compensação é feita na forma de juros altos. A Selic também é o principal instrumento de controle da inflação, funcionando como a taxa de juros básica adotada no país

Da Redação