Interdisciplinaridade e aplicação dos saberes acadêmicos dentro das comunidades de acordo com a sua realidade. É isso que se vê nos trabalhos da Mostra de Extensão da 8ª Bienal da UNE, apresentados na Faculdade de Olinda (FOCCA) durante os três dias de evento.
Estreando na Bienal da UNE, a mostra de Projetos de Extensão quer incentivar o desenvolvimento do pilar mais importante da universidade. Para o coordenador da mostra, Felipe Redó, o fundamental na prática da extensão é unir a universidade como produtora de conhecimento sem deixar de enxergar o conhecimento popular. “Muitos dos projetos fazem esse casamento entre o saber popular e o científico. Porém, os trabalhos são diversos, optamos em abranger diferentes modos inclusive na forma de entender a extensão que muda muito de um projeto para outro, de uma universidade para outra”, explicou.
O trabalho do estudante Tiago Franklin Lima da Silva, do curso de gestão pública da UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte) trata da agricultura familiar. Ele e um grupo de 17 alunos dos cursos de ciências sociais, engenharia florestal, direito, geografia, fizeram um diagnóstico do desenvolvimento dos Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). A próxima fase é oferecer oficinas para melhorar a atuação em três eixos: nos agricultores, na assistência técnica e com os gestores.
Durante o trabalho, Tiago destacou o contato que teve com as políticas públicas, a visão da prática e das dificuldades para a consolidação de um projeto. “ Os olhares de estudantes de diversas áreas proporcionam visões diferentes, principalmente quando se faz um diagnóstico, esse choque de referências ajuda a chegar a um resultado mais plausível, mais perto da realidade, não apenas com a visão do seu curso”, ressaltou.
A aluna de artes cênicas da Universidade Federal de Ouro Preto, Georgianna Dantas, apresentou seu projeto TEC- Teatro Espaço Conhecimento que realiza oficinas com adolescentes de Distritos de Ouro Preto. Ela conta que este é o segundo projeto de extensão dela que lida com cultura. “Muitos desses Distritos em torno de Ouro Preto não tem oferta cultural”, explica.
Os alunos Wellingta Carla Nascimento Barros e Max Leandro Carvalho dos Santos do curso de letras da Universidade Estadual de Alagoas (UNEAL) também promovem o teatro na cidade de Arapiraca em Alagoas. Com o projeto de Extensão Letras no Palco, eles criam um encontro entre a literatura e teatro. A história começou em 2006, segundo eles, percebendo a necessidade de desenvolver a literatura e o teatro, já que a universidade não tem um curso de artes cênicas.
“As oficinas de iniciação ao teatro de 2013 serão direcionadas para integrantes do MST, grupos LGBT, tribos indígenas, deficientes auditivos e dançarinas de grupo de coco de roda. Haverá ainda palestras de literatura e teatro que devem culminar em projetos e apresentações”, explicou Wellingta. No repertório está a obra escritores regionais como Jorge de Lima, Graciliano Ramos e Ledo Ivo e Arriete Vilela.
Para Redó os projetos de extensão também “possibilitam um entrosamento entre programas e políticas públicas, cumprindo esse papel usando os conhecimentos universitários em função da sociedade”, afirmou.
Homenagem ao brasileiro combateu a fome e amou o Brasil
Josué de Castro é o homenageado da mostra de Extensão desta edição da Bienal. Médico, professor e político, o intelectual recifense deixou uma obra que até hoje é referência em nordeste, no seu estudo sobre a fome, sobre o mangue e sobre Pernambuco. Como deputado, defendeu a reforma agrária. Após o golpe militar teve os direitos políticos cassado e foi exilado junto com Darcy Ribeiro, Julio Prestes, Leonel Brizola entre muitos outros. Ficou famosa a frase de um dos seus discurso que dizia: “Os ingredientes da paz são o pão e o amor”. Morreu em Paris, longe da Recife e do Brasil que tanto defendeu e amou.