Representantes de universidades da América Latina e de países de língua portuguesa estiveram neste sábado (19), no CONEB da UNE na Universidade Federal de Pernambuco. Os desafios de estudar em outro país e sua importância como instrumento válido de capacitação profissional foram tema da mesa “Mobilidade Acadêmica e Cooperação Internacional”, que aconteceu na tarde deste sábado, no Centro de Ciências Sociais Aplicadas (CCSA) do campus.
Um dos principais problemas vivenciados pelos estudantes que ingressam em programas de mobilidade acadêmica, estudando em outro países, é a não validação, quando retornam, dos créditos cursados no exterior para seus cursos natais e sua formação de origem.
Um exemplo apresentado foi o dos cerca de 600 estudantes que estudaram medicina em Cuba e até hoje não podem exercer a profissão por não ter os diplomas validados no país. “Queremos que os estudantes brasileiros possam experienciar realidades diferentes. Ele pode ser de um país, estudar e se formar em outro, e trabalhar em um terceiro. Para isso é indispensável a desburocratização no reconhecimento dos créditos quando de volta ao seu país de origem”, explicou o professor Paulo Speller, reitor da Universidade da Lusofonia Afro Brasileira (Unilab).
Apesar dos avanços na área, como a criação do programa Ciência Sem Fronteiras, o Brasil ainda é um país atrasado nos diálogos com seus pares latinos. Um dos principais problemas identificados pelas universidades é a barreira histórica da língua, já que a formação ainda prioriza o estudo do idioma inglês, em detrimento do espanhol.
“O estímulo do ensino da língua espanhola é algo urgente e necessário. Principalmente se nós quisermos colocar em prática uma proposta de atuação em rede de forma cooperativa e solidária, oferecendo a excelência acadêmica que foi prejudicada ao longo do tempo em que a hegemonia do ensino público de qualidade foi colocada à cabo pelo sistema neoliberal”, afirmou o professor Targino de Araújo Filho, reitor da Universidade federal de São Carlos (UFsCar).
A experiência que vem sendo realizada na Universidad de la Republica Uruguay (Udelar) foi apresentada pelo professor Alvaro Maglia. Ele explicou como as 28 instituições associadas atuam para o financiamento da troca de experiências entre países, a formação dos alunos e professores e o estímulo à pesquisa e extensão.
MOVIMENTO ESTUDANTIL COLABORA COM A INTEGRAÇÃO
Um dos pontos que podem estimular e qualificar a integração entre universidades de países diferentes, especialmente na América Latina, é a presença do movimento estudantil. A UNE representa os estudantes brasileiros dentro da Organização Latino Americana e Caribenha de Estudantes (OCLAE), contruindo projetos e mobilizações conjuntas pelas universidades do continente.
O presidente da OCLAE, o cubano Ricardo Guardia Lugo, estará no CONEB da UNE neste domingo para trocar essas experiências. Também estão participando do evento, na capital pernambucana, estudantes de outros países latino-americanos como o Paraguai, Argentina e Venezuela.
Maria Helena Monteiro