Mais de mil alunos da Universidade de São Paulo (USP) estão reunidos na tarde desta quinta-feira (24) em uma grande manifestação na Avenida Paulista. Com gritos como “Rodas a culpa é sua, hoje a aula é rua”, “USP sim, polícia não” e “Pula, sai do chão, quem é contra a repressão”, os estudantes protestam contra a presença da Polícia Militar no campus da universidade, por um projeto alternativo de segurança e pela saída do reitor João Grandino Rodas.

O ato também tem como finalidade promover uma “aula de democracia” no vão livre do MASP, uma das mais importantes instituições culturais brasileiras, em resposta ao governador do estado, Geraldo Alckmin. “Lá, mostraremos ao governador que, se há alguém precisando de aulas de democracia, esse alguém é ele”, explica o convite para o ato nas redes sociais.

Vale lembrar que no dia da desocupação da reitoria por policiais militares, Alckmin falou em rede aberta que alguns alunos da USP precisavam de uma verdadeira “aula de democracia”. O governador foi convidado a participar do encontro, mas não houve resposta por parte da assessoria.

No último dia 10, após ação truculenta da PM na Cidade Universitária, mais de 3.000 estudantes também ocuparam as principais vias do centro antigo de São Paulo. A manifestação começou e terminou no Largo São Francisco, em frente à Faculdade de Direito.

Greve na USP

Os estudantes da USP estão em greve desde o dia 8 de novembro, em resposta à prisão de 72 manifestantes que ocupavam a reitoria da instituição desde o último dia 2.

A desocupação do prédio da administração ocorreu de forma violenta, com mais de 30 homens da cavalaria e mais de 400 na Tropa de Choque. As principais reivindicações dos alunos são a saída da Polícia Militar do campus, o fim do convênio da USP com a Secretaria de Segurança Pública, a liberdade aos presos (sem punições administrativas ou criminais), a retirada de todos os processos “movidos contra estudantes por motivos políticos” e a saída do reitor João Grandino Rodas.

As faculdades que aderiram à paralisação são FFLCH (Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas), ECA (Escola de Comunicações e Artes), FAU (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo) e Faculdade de Educação. Adusp (sindicato dos professores da USP) e Sintusp (sindicato dos funcionários da USP) apoiam os estudantes, mas não pararam suas atividades.

Em assembleia realizada ontem na Escola Politécnica (Poli), no câmpus do Butantã, zona oeste da capital, os estudantes decidiram manter a greve.

Da Redação