Não. O título deste texto não se refere a um fenômeno paranormal ou à incorporação de um espírito. A foto que o ilustra não é psicografada nem tampouco um antigo registro do escritor colorido artificialmente.

Mário de Andrade (1893-1945) estará presente na abertura da 9ª Bienal da UNE por meio de sua obra crucial para a literatura brasileira: Macunaíma.

E seu genial sósia, o ator, pesquisador e personagem marcante da TV e do teatro Pascoal da Conceição estará lá em carne e osso, representando o mestre modernista no espetáculo que celebrará o tema #vozesdobrasil no Circo Voador.

O evento rola a partir das 17h deste domingo (1), com “Mário” como mestre de cerimônias e um grupo de atores em uma montagem dirigida por Ricardo Pavão.

Além disso, a cantora Iara Rennó conduzirá uma apresentação especial com músicas dedicadas a Macunaíma. Para encerrar a noite, Arlindo Cruz inaugura a série de shows da Bienal da UNE acompanhado pela grande homenageada da área de música do festival, dona Ivone Lara.

DR.ABOBRINHA

Para Pascoal da Conceição, também bastante conhecido do público como o Dr. Abobrinha na série Castelo Rá-Tim-Bum, o espetáculo de abertura da Bienal será um evento de “grande estatura” e exige um trabalho de muita responsabilidade.

“Interpretar o Mário é sempre algo que desenvolve o nosso pensamento, algo que dá uma azeitada nas nossas ideias. Ele era um homem muito avançado, à frente um movimento de grandes mudanças para o país”, disse.

A proximidade física entre Pascoal e Mário foi motivação de seu trabalho de interpretação do escritor. “Foi durante a década de 1980, quando o país vivia grande inflação e tivemos diversos planos econômicos. Em uma das cédulas de dinheiro foi impressa uma imagem do Mário e o porteiro do meu prédio comentou sobre a semelhança”.

Começava ali um trabalho que ficou famoso quando Pascoal representou o escritor na série de TV “Um só Coração”. Além da semelhança física, Mário e Pascoal nasceram na mesma data.

Motivado para a apresentação do espetáculo após semanas de ensaio na Fundição Progresso, ele compreende que o tema da Bienal da UNE envolve uma reflexão que nunca se esgota no Brasil.

“O que o modernismo deixou para as próximas gerações é a herança de um desafio”, afirmou, lembrando da relação entre a antropofagia dos artistas daquele movimento com a polifonia das vozes que compõem a diversidade brasileira e que são o mote desta edição do festival.

Da Redação