Às 8h já era possível ouvir nas rádios mineiras: ‘’Avenida Amazonas totalmente parada devido a protesto de estudantes’’. Foi assim que a cidade de Belo Horizonte amanheceu, com milhares estudantes colorindo as ruas, levando ao conhecimento de toda a sociedade suas reivindicações por um país melhor.
O ato contou com a participação de cerca de dois mil estudantes, e teve como principais bandeiras de luta as pautas nacionais que envolvem a redução das altas taxas de juros, o corte no orçamento federal e a defesa da indústria para o desenvolvimento nacional. Já no âmbito local, as pautas discutidas foram a exigência do respeito ao piso salarial dos professores, a criação de uma rede de escolas técnicas estaduais no estado, a aprovação do estatuto da juventude, o meio-passe para todos os estudantes e a criação imediata da PEC do Fundo Social do Minério.
Essa última pauta, relacionada ao fato de que o estado de Minas Gerais fica com apenas 2% do faturamento líquido sobre a exploração do minério, mesmo sendo o maior produtor nacional, levou às ruas palavras de ordem como “Estudante de luta qual é sua missão? – O minério de Minas pra educação!” – deixando clara a luta dos estudantes para que as riquezas advindas desse recurso sejam revertidas para a educação e o desenvolvimento social do estado.
Durante o percurso, que se iniciou na Praça Pio XII, os estudantes fizeram um ato singular em frente ao banco central do estado, pedindo por menos juros e mais educação. Isso quer dizer que os estudantes protestam por mais dinheiro para a setor, o que consequentemente levará o país para o caminho do ensino de excelência, com mais acesso, mais bolsas, melhor salário para professores e funcionários, infraestrutura e tantas outras melhorias.
UNE presente
O presidente da UNE, Daniel Iliescu, esteve presente no ato e assumiu que a Jornada de Minas Gerais superou as expectativas. ‘’ Foi um ato bonito, massivo, com grande adesão de estudantes de todas as partes do estado. Conseguimos assim, mostrar as nossas exigências em relação à educação e a indignação do movimento estudantil com as taxas de juros altíssimas praticadas no Brasil’’.
A passeata teve seu fim anunciado em frente à Assembleia Legislativa de Minas, com um ato realizado em favor da PEC do Fundo Social do Minério. ”Foi uma grande marcha. Colocou a posição dos estudantes de que não dá mais pra educação ser tratada como algo secundário, é preciso investir. Hoje, nos reunimos para defender nossas bandeiras e assim seguiremos, lutando pra que nossas pautas sejam alcançadas’’, declarou o presidente da UEE-MG, Rafael Leal.
Renata Bars