Com a presença de representantes de Centro Acadêmicos (CAs) e Diretórios Centrais dos Estudantes (DCEs) de 44 instituições federais de ensino superior do país, uma grade #marchadosestudantes tomou conta das ruas de Brasília na última terça-feira, dia 26 de junho. Em meio a um cenário de efervescência dentro das instituições de ensino superior, com a greve dos professores e a mobilização dos estudantes por melhorias e mais assistência estudantil, três mil pessoas participaram da passeata em defesa da educação e da universidade brasileira.
“Essa marcha é fruto do nosso 60º Conselho Nacional de Entidades Gerais, realizado semana passada no Rio de Janeiro. Essa marcha é histórica e uma demostração de grande unidade e força do movimento estudantil e educacional em todo o Brasil”, avaliou o presidente da UNE, Daniel Iliescu.
Às 9h, os estudantes já se concentravam em frente à Biblioteca Nacional de Brasília, tradicional ponto de encontro das manifestações dos movimentos sociais na capital federal. Lá, ocuparam com suas caras pintadas e confiantes as ruas da Esplanada. De lá, partiram firmes em uma marcha rumo ao Ministério da Educação com o objetivo de ocupar a entrada do órgão até que o ministro Aloizio Mercadante os recebessem para ouvir as pautas específicas de cada universidade.
Apoiando a greve das federais, que chega ao seu 39º dia, os estudantes de todo o país uniram forças para levantar suas bandeiras de luta nacionais, que incluem ampliação da assistência estudantil, a melhoria da estrutura das universidades, mais restaurantes universitários, creches, moradias, bolsas e outras formas de auxílio para garantir a permanência dos alunos e a qualidade nas instituições de ensino superior.
A vice-presidente da UNE, Clarissa da Cunha, ressaltou a importância da luta por políticas de assistência estudantil voltadas para as mulheres, como a criação de creches universitárias. “As mulheres de todo o país estão unidas nessa greve e hoje, no ato, para lutar por creches universitárias e contra o machismo”, disse.
A UNE somós nós, nossa força e nossa voz
De todos os cantos do país, estudantes enfrentaram horas de viagem e perrengues de todos os tipos para chegar a tempo de participar da histórica #marchadosestudantes do dia 26 de junho de 2012. O coordenador-geral do Circuito Universitário de Cultura e Arte (CUCA) da UNE, Rafael Buda, estava no Rio de Janeiro e enfrentou mais 20 horas de viagem junto com uma turma de cerca de 40 estudantes.
“A gente nem sente o cansaço quando chega aqui e encontra amigos de luta de todas as regiões do Brasil. Essa diversidade e essa unidade é que fazem a força e a voz do movimento estudantil”, falou.
Vindo de Minas Gerais, Max Ziller, do DA de Computação da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), no triângulo mineiro, enfrentou cerca de seis horas de viagem de ônibus para trazer as suas reinvindicações. “A Assistência Estudantil está em falta. A quantidade de bolsas não acompanhou o aumento da quantidade de estudantes provinda do importantíssimo processo de expansão que foi o Reuni e o valor das bolsas é muito baixo para o sustento de um estudante. Outra pauta diz respeito à construção do prédio próprio do campus Frutal e a atualização do acervo da biblioteca do campus de Santa Mônica”, pontou.
Jorge Lucas, estudante de Ciências Sociais da Universidade Federal do Pará, afirmou também que a UFPA é carente de bibliotecas com um bom acervo para que possam desenvolver os seus estudos. “Alguns cursos têm uma carga muito pesada de leitura e os estudantes precisam fazer consultas bibliográficas”, explicou. Ele ainda cobra a ampliação do restaurante universitário no campus central de Belém.
Também da região norte do país, Caetano Junior, do DCE da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), cobra a construção do RU do setor norte e do sul, criação da creche universitária e a interiorização das políticas a assistência estudantil.
No caso da federal de Goiás, a principal reivindicação dos estudantes é a contratação imediata de novos servidores. “O dia a dia da UFG não funciona por que os servidores estão sobrecarregados e com essa situação os estudantes são muito prejudicados também”, explicou Iago Montalvão, coordenador do DCE da UFG.
337 entidades por melhorias nas federais
A #marchadosestudantes, ocorrida em apoio à greve nacional dos docentes das universidades federais, contou com o apoio e participação de representantes de 337 entidades educacionais como a Associação Nacional dos Docentes no Ensino Superior (ANDES), Fórum de Professores das Instituições Federais de Ensino Superior (Proifes), Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores das Universidades Públicas Brasileiras (Fasubra) e Campanha Nacional pelo direito à Educação.
“Os estudantes brasileiros e a UNE apoiam essa greve e somaram com esse ato, suas forças em busca de uma real mudança do ensino superior, garantindo mais mentes e projetos a serviço do desenvolvimento econômico, social e humano do país. Esta causa é de todos, estudantes e trabalhadores de todo o Brasil”, finalizou Daniel Iliescu, presidente da UNE.
De Brasília, Rafael Minoro