Marcelo Augusto Diniz Cerqueira nasceu no dia 6 de agosto de 1938, no Grajaú, Rio de Janeiro. Filho de Vilmar Ferreira Cerqueira e Marília de Moura Diniz Cerqueira, passou toda infância e adolescência no Rio e estudou no Instituto Lafayette, prestando vestibular para o curso de ciências jurídicas e sociais na Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil (atual UFRJ), onde foi classificado. Nesta época, chegou a exercer a função de repórter do Jornal Metropolitano, sob direção de Paulo Alberto Monteiro de Barros.
Em 1957, Marcelo Cerqueira filiou-se a Juventude Comunista. Foi um dos fundadores do Centro Popular de Cultura (CPC) e da revista Movimento da União Nacional dos Estudantes (UNE). Quando José Serra foi eleito presidente da UNE em 1964, Cerqueira assumiu a vice-presidência da entidade. Nesse ano, no entanto, depois do golpe militar, foi obrigado a exilar-se e seguiu primeiramente para Bolívia, depois Chile e, finalmente, Europa.
Em 1965, Cerqueira retornou ao Brasil, onde foi preso por cem dias. Depois de solto, retomou os estudos da faculdade, encerrando o curso ainda no mesmo ano. No início de sua vida profissional, dedicou-se a advogar em causa própria, nos processos em que estava envolvido, e foi defensor, sem cobrar honorários, de um número superior a mil pessoas processadas pela Lei de Segurança Nacional e também de inúmeros “desaparecidos políticos”. Em 1968, ano de decretação do Ato Institucional nº 5 (AI-5), concluiu o doutorado pela Faculdade Nacional de Direito.
Marcelo Cerqueira candidatou-se a deputado federal pelo Rio de Janeiro em 1978 pelo partido Movimento Democrático Brasileiro (MDB), assumindo em fevereiro do ano seguinte. Depois da queda do bipartidarismo, foi um dos fundadores do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB). Em abril de 1981, foi vítima de dois atentados, um contra seu carro e outro contra sua casa. Na época, Cerqueira atribuiu os crimes à ultradireita, que tentava através do terrorismo barrar o processo de abertura política.
Em 1982, candidatou-se à reeleição pelo PMDB sem sucesso. No início do ano seguinte, quando terminou seu mandato como deputado, retornou à advocacia e tornou-se professor titular de Direito Constitucional da Faculdade Cândido Mendes. Em 1985, iniciou o trabalho de consultor jurídico do Ministério da Justiça do governo José Sarney, mudando-se para Brasília. Afastou-se do PMDB e ingressou no Partido Socialista Brasileiro (PSB), com o cargo de secretário-geral.
Nos mês de agosto de 1985, candidatou-se à prefeitura do Rio de Janeiro pela Frente Rio (PSB, PCB, PCdoB e PMDB), mas foi vencido por Roberto Saturnino Braga (PDT). Entretanto, foi convidado, em 1987, por Saturnino para assumir umas das secretarias especiais para Assuntos Extraordinários como assessor político, onde permaneceu por um ano. Auxiliou a promotoria no caso Bateu Mouche, representando algumas famílias das vítimas, dentre elas a jornalista Elane Maciel, do Jornal do Brasil. Lançou o livro Bateu Mouche: o naufrágio do processo, no qual relata as ambigüidades e omissões nos inquéritos oficiais do acidente.
Entre 1992 e 1993, Cerqueira foi procurador-geral do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA). Depois disso, assumiu a Procuradoria Geral do Conselho Administrativo de Direito Econômico (CADE), onde permaneceu até 1994. Em outubro desse ano, pelo Partido Popular Socialista (PPS), tentou uma cadeira na Câmara dos Deputados, onde conseguiu uma suplência. Em 1996, candidatou-se a vereador do Rio, mas não conseguiu vitória.
Em 1997, ficou notabilizado por sua luta contra a privatização da Companhia Vale do Rio Doce e buscou, através de inúmeras ações judiciais, impedir a venda da empresa. No ano 2000, foi empossado presidente do Instituto dos Advogados Brasileiros.
Marcelo Cerqueira publicou obras política como O Deus ferido e romances como Almoço de ganso(1979) e Beco das garrafas: uma lembrança . Em 1995, lançou sua mais recente obra: O Controle do Judiciário – doutrina e controvérsias.
Casou-se com Eli Diniz, com quem teve uma filha, e, em seguida, com Lúcia Lea Tavares, com quem teve mais duas filhas.
[Fontes: Entrevista realizada pelo projeto Memória do Movimento estudantil em 20 de outubro de 2004; Dicionário Histórico-Bibliográfico Brasileiro; “Marcelo Cerqueira” IN: Jornal do Brasil, 21 de outubro de 1994; “Os direitos de um candidato” IN: Jornal do Brasil, 26 de agosto de 1994; “O sectarismo é o fechamento do mundo” IN: Jornal do Brasil.]
Feito por Itamar de Assis Jr. em 25 de fevereiro de 2005