Os caboclos seguravam as lanças cheias de fitas coloridas nas mãos. Em um ritmo frenético, afastaram a multidão que havia em volta do espaço Forrobodó, entre saltos e marchas coreografadas, abrindo alas para que o maracatu rural pudesse passar. Chegaram do nada com seus trajes cintilantes, estrelinhas caídas do céu.

O brilho da grande cabeleira realçava a beleza da gola multicolorida, um verdadeiro espetáculo para quem acompanhou a apresentação. O grupo  de Maracatu Rural Estrela de Ouro e abriu a tradicional aula-espetáculo, principal atividade da 8ª Bienal da UNE nesta quinta-feira (24/01).

“O maracatu é uma das principais manifestações pernambucanas. Achamos fundamental inaugurar a aula-espetáculo com uma dança rural, para que os estudantes possam conhecer um pouco mais da cultura da região. O Maracatu Estrela de Ouro é referencia aqui na região e tem uma trajetória bonita, com mais de setenta anos de tradição”, avaliou o coordenador de música da Bienal, Nelson Mendes.

Maracatu Rural

Maracatu Rural é uma manifestação cultural da música folclórica pernambucana, uma herança secular, motivo de muito orgulho e admiração. É formado por pessoas simples, principalmente por trabalhadores rurais que cortam cana, lavram a terra e carregam peso. Com as mesmas mãos também bordam golas de caboclo, cortam fantasias, enfeitam guiadas, relhos e chapéus, dedicando-se ao bem mais valioso que possuem: a cultura.

O cortejo do Maracatu Rural diferencia-se dos outros maracatus por suas características musicais próprias e pela essência de sua origem refletida no sincretismo de seus personagens. A orquestra é formada por instrumentos de percussão e sopro, transmitindo a grande tradição cultural do estado de Pernambuco.

Patricia Blumberg Foto: Fábio Bardella