Belém do Pará foi palco de uma chacina supostamente realizada pela Ronda Ostensiva Tática Metropolitana (ROTAM), na madrugada de terça (04/11) para quarta-feira (05/11), em retaliação à morte do cabo Antônio Marco da Silva Figueiredo (43 anos).
A Polícia Militar anunciou pela manhã de ontem que eram em sete o número de mortos. Antes do meio-dia, o secretário de segurança pública anunciou que a contagem subiu para nove em seis bairros da cidade. Nas redes, durante a madrugada e toda a manhã, moradores desmentem as informações oficiais, anunciando números que variavam em dezenas. Segundo os peritos, pelo menos seis destas mortes têm característica de execução. Todos os homicídios aconteceram em bairros pobres da capital paraense.
Para a UNE e o conjunto dos movimentos sociais, é urgente discutir segurança pública da juventude. Não a segurança pública de uma parcela da sociedade que sempre teve respaldo do estado; é a segurança pública dos brasileiros pobres, pretos, jovens, moradores das favelas, historicamente excluídos das oportunidades e dos direitos básicos.
Ainda está viva na memória a barbárie de Pinheirinho, em São José dos Campos, em São Paulo. Não se pode esquecer a violência gratuita da PM pernambucana contra os manifestantes do #OccupeEstelita, em maio deste ano, e da PM mineira contra os professores em Belo Horizonte a cada greve. Nas cidades brasileiras, e não apenas nas capitais, o cotidiano das periferias é feito de suor e sangue, apesar dos avanços nas políticas públicas federais. A cor da pele é a sentença de culpa.
Leia abaixo o manifesto redigido pela equipe nacional do Juventude Viva, apoiado por diversos segmentos dos movimentos sociais:
MANIFESTO
“Nós jovens negras e negros, autônomos e/ou organizad@s nos movimentos e organizações sociais, exigimos a imediata intervenção das instituições federais e do estado do Pará no intuito de cessar a matança em curso de jovens negros/as nas periferias de Belém e cidades da região metropolitana.
Exigimos a apuração imediata dos homicídios ocorridos desde a madrugada do dia 05 de novembro em retaliação do assassinato de um policial militar da ROTAM/PA que desencadeou até o momento o extermínio de mais de 40 pessoas em sua maioria jovens negros. É público e noticiado amplamente nos jornais e redes sociais que desde a morte do referido policial, seus colegas estão convocando toda a corporação a “ir as ruas dar as respostas” e isso tem promovido um massacre que está exterminando negros e negras como se fossem ratos neste estado.
Diante desta postura genocida, as juventudes negras brasileira conclamam que o Estado tenha uma atuação imediata para punir os culpados e responsabilizar as devidas instituições pela ação e omissão que permitiu a concretização deste massacre em pleno mês da consciência negra.
Neste momento reafirmamos a importância de:
– Que a Presidenta da Republica se pronuncie imediatamente, tomando as devidas providências, já que a mesma se comprometeu com a juventude negra no seu segundo mandato;
– Aprovação imediata da PL 4471/12, pelo o fim dos autos de resistência;
– Desmilitarização da Policia;
– Construção de uma política nacional de segurança publica pautada na defesa da vida;
– O fortalecimento do Plano Juventude Viva como uma política publica de Estado para o enfrentamento à violência letal contra a juventude negra;
– O combate ao racismo em todas as instituições”.
Fórum Nacional da Juventude Negra (Fonajune).
Quinta-feira, 06 de novembro de 2014