Onze dias depois da reintegração de posse do bairro do Pinheirinho, em São José dos Campos, no Vale do Paraíba, interior de São Paulo, centenas de manifestantes se reuniram nesta quinta-feira (2), na Praça Afonso Pena, para um “Ato Nacional” em solidariedade às famílias despejadas e para pedir a desapropriação do terreno.

O protesto reuniu pessoas não só de São José dos Campos, mas também do Paraná, Minas Gerais, São Paulo e outras cidades do interior paulista, vindas em caravanas e que carregaram o seguinte estandarte: “Somos Todos Pinheirinho”. Estavam no grupo, além de ex-moradores, estudantes da USP e Unicamp, lideranças sindicais e representantes de partidos políticos.

Inspirados na linha de frente criada pela comunidade durante a reintegração de posse, os manifestantes usaram “escudos” feitos de barris de borrachas com frases que contestavam a reintegração e a violência da polícia militar.

A ação de reintegração ocorreu em cumprimento à ordem da Justiça de São Paulo em benefício da massa falida da empresa Selecta, do investidor Naji Nahas. Cerca de 9.000 pessoas viviam no local, há sete anos, e haviam criado uma verdadeira comunidade, com igrejas, escolas e comércio local sem qualquer tipo de ajuda do poder público.

Violação de direitos

A Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República afirmou, em nota pública nesta terça-feira (31), que também constatou “diversas violações” aos direitos humanos decorrentes da ação de reintegração de posse da comunidade do Pinheirinho.

De acordo com a nota, representantes da secretaria estiveram em quatro abrigos que a prefeitura disponibilizou para os expulsos de Pinheirinho, onde encontrou “ausência de condições de higiene, saúde e alimentação adequada nos abrigos, superlotação nos alojamentos, negligência psicológica, entre outras violações”.

Da Redação com agências