Em todo Brasil, a juventude tem saído às ruas por melhorias significativas no país, compondo a tradicional Jornada de Lutas do mês de março. Em Goiás, os estudantes e diversos movimentos sociais se somam às lutas nacionais e prometem uma grande passeata nesta quarta-feira (27). O ato, que terá sua concentração na Praça Universitária, a partir das 9h, sairá em marcha até a Assembleia Legislativa para ser recepcionado pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias do Estado.
A principal bandeira da juventude goianiense é a luta por mais direitos sociais para toda a sociedade. Eles reivindicam um combate eficaz contra o extermínio da juventude negra, o fim da violência contra as mulheres e uma medida que diminua drasticamente o número de jovens desempregados.
Para o presidente do Diretório Central dos Estudantes da Universidade Estadual de Goiás (DCE-UEG), Jeferson Acevedo, a Jornada de Lutas é especialmente importante este ano. “Só conseguiremos conquistar os nossos direitos saindo às ruas, mostrando que não estamos de olhos fechados para as políticas públicas. Queremos agregar todos os movimentos possíveis para lutar por mais direitos sociais. É disso que o Estado precisa”, declarou o estudante, que ainda completou:
“Os movimentos sociais vão agregar também a luta dos secundaristas pelo passe-livre, pois a bandeira foi retirada da pauta da Assembleia Legislativa. Isso é um retrocesso”.
Quem está presente na Jornada de Lutas de Goiás
ONG Atitude, Sindicato dos trabalhadores em educação no Estado de Goiás (SINTEGO), Pastoral da Juventude do Meio Popular (PJMP), Pastoral da Juventude (PJ), Juventude do PT, Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Publico Federal (SINTSEP – GO), Juventude da CUT, União da Juventude Socialista (UJS), União Nacional dos Estudantes (UNE), União Estadual dos Estudantes (UEE), UGES, C.A de Filosofia – UFG, C.A. Livre de Ciências Sociais Florestan Fernandes – UFG, C.A. Farmácia – UFG, DCE- UEG “Gestão: Levado a Sério!”, DCE-UFG ”Gestão Ouse falar”, RECID-GO, C.A. de Direito Cloves Bevilacqua – PUC, REJU – RCO
Leia abaixo o Manifesto da Jornada
Vivemos uma sociedade plural que apesar de todos os avanços democráticos tenta sobreviver à dura realidade do sistema capitalista. Realidade essa que hierarquiza, exclui e marginaliza milhões de pessoas, que homogeniza gostos e padroniza costumes, de maneira a favorecer um pequeno grupo no comando da economia em detrimento da grande maioria. Esse comando tem cara, sexo e cor sendo homens, brancos, heterossexuais que foram eleitos como o modelo de sucesso do capital, organizando culturas excludentes, intolerantes à pluralidade e a diversidade na qual a sociedade se constitui. A Juventude goiana unificada vem através da Jornada de Lutas, denunciar todas as formas de discriminação e contribuir para a reflexão de que outro mundo é possível.
Reconhecendo a necessidade da mudança dessa sociedade, a juventude se coloca como o principal ator nesse processo de transformação. Avanços significativos podem ser notados nos últimos dez anos. Projetos como o PROUNI, as cotas raciais e sociais nas universidades públicas, o plano de combate a mortalidade da juventude negra, a criação da Secretária e Conselho Nacional de Juventude e outros inúmeros esforços de fazer uma política que atenda as demandas desse segmento que representa hoje 1/4 da população sendo responsável por 40% da força de trabalho nacional.
Essas vitórias têm como protagonista a própria juventude, sujeitos de direitos, organizada no campo e na cidade em diversos segmentos como os partidos políticos, as feministas, o movimento estudantil, as juventudes religiosas, dos esportes, LGBT’s, coletivos de cultura e negros e negras, dentre outros.
No entanto, no que tange as políticas públicas de juventude há muito que avançar. O número de jovens desempregados, nos subempregos ou na informalidade, além do difícil acesso às políticas educacionais, deixa esse grupo etário fragilizado e a margem dos avanços que o país tem obtido.
Além disso, o sistema político contribui para a marginalização desses atores, sendo que a representatividade juvenil nos espaços de poder é baixíssima, mostrando a necessidade de uma ampla reforma política. O monopólio das comunicações também contribui para essa exclusão, já que o estereótipo que a mídia faz do/da jovem é a ligação com violência, irresponsabilidade e pouca maturidade para lidar com o mundo que vive. Por isso os movimentos sociais e juventudes organizadas vem de forma unificada defender a democratização dos meios de comunicação como forma de contribuir na emancipação de nossa juventude.
Em Goiás, mesmo com os incentivos do Governo Federal, não conseguimos avançar. Estamos entre os estados mais violentos do país, onde a ocupação de espaços públicos como praças e ruas, seja com manifestações culturais ou esportivas, seja tratada com violência extrema somando desaparecidos e vitimas fatais, sendo que a maioria são homens, negros, pobres, entre 15 e 23 anos, que marginalizados aumentam cada vez mais as estatísticas da mortalidade juvenil.
A polícia substituiu a política!
Além disso, apesar das propagandas e dos gastos excessivos do governo com publicidade, sequer conseguimos efetivar o Passe Livre Estudantil que mesmo depois de ser lançado duas vezes, não se tornou realidade dos estudantes goianos. Esse governo estimula o ódio e a intolerância, sendo que as manifestações populares são criminalizadas, ferindo o direito de liberdade de organização e de expressão.
Lutamos e estamos vindo a publico para dizer que basta!!! Queremos um estado laico e que respeite a diversidade de nossa sociedade. Queremos direitos e políticas publicas efetivas para a juventude goiana!!! Queremos direitos humanos respeitados e garantidos pelo poder publico do estado!!! Queremos um mundo solidário, tolerante e que dê acesso e oportunidades a todas!
Da Redação