Para muitos atletas, conciliar os estudos com a prática do esporte torna-se um desafio. Provas e matérias muitas vezes perdem espaço para as intensas cargas de treinamentos. Mas, afinal, um atleta necessita de formação acadêmica?

Partindo dessa importante questão, a 8ª edição da Bienal da UNE promoveu, na manhã desta quinta-feira (24/01), um debate sobre o desporto universitário brasileiro e suas necessidades atuais.

A mesa de debate foi composta pelo diretor de departamento de esporte de base e de alto rendimento do Ministério do Esporte (DEREN/ME), André Arantes, pelo diretor técnico da Confederação Brasileira de Desporto Universitário (CBDU), Edinilton Vasconcelos, e pelo professor de educação física e diretor da Associação Nacional dos Pós-Graduandos (ANPG), Edimar Fonseca.

O desporto universitário surgiu no Brasil, como uma manifestação organizada, no início do século XX. De lá pra cá, seu enfoque mudou algumas vezes. Antes da década de 80, a prática de esportes nas escolas e universidades visava unicamente a competição e a seleção de talentos. Beirando o século XXI, uma nova necessidade foi encontrada: transformar o esporte em uma prática inclusiva, com um cunho de participação e lazer que privilegie a formação acadêmica do atleta.

‘’Há necessidade de se encontrar um meio termo entre esses dois enfoques. Não podemos ser radicais nem para um lado e nem para o outro. Precisamos encontrar uma forma de equilíbrio entre o rendimento e a recreação para englobar todos os tipos de estudantes no processo esportivo’’, falou Arantes.

Para Vasconcelos, é preciso desmistificar a cultura de que o atleta precisa optar entre treinar ou estudar. ‘’Hoje a CBDU está estabelecendo diversas parcerias com confederações nacionais e internacionais para que essa bandeira do estudo seja implantada nos meios esportivos. Um maior incentivo ao ensino à distância é uma das opções de se concretizar isso’’, explicou.

Uma maior intervenção nos eventos esportivos universitários por parte dos Ministérios da Educação e do Esporte foi apontada como solução para a evasão escolar dos atletas.

‘’ A retomada da gestão estratégica do evento é necessária, pois ela atua com grande concentração do Comitê Olímpico, apenas. O crescimento do esporte e a democratização do acesso dependem de uma ação maior que simplesmente executar os jogos. É uma questão política’’, ressaltou Arantes.

Renata Bars