A atual geração de poetas, contistas e outros escritores estudantes da universidade brasileira está tendo a chance de intercambiar suas obras e olhares na mostra selecionada da Bienal da UNE, em Olinda. São 16 produções entre poemas, contos, crônicas e textos de outros gêneros. Representando universidades de diversos estados, com realidades e linguagens distintas,  os artistas aproveitam a convivência em Pernambuco para trocar experiências.

“Todos leram as obras uns dos outros, mostraram ter ideias muito parecidas sobre a poesia, foi muito produtivo”, declara o estudante da Universidade de Brasília Alex Canuto, que participou do grande recital das obras selecionadas no dia 23, quarta-feira, no Espaço Forrobodó: “Foi um momento de alegria muito profundo, um encontro com a diversidade, com a juventude que reafirma sua identidade ”, disse o estudante que, enquanto poeta, é conhecido como Sabiá Duquesa do Cerrado.

A apresentação do Sabiá, inclusive, foi um destaque à parte. Caracterizado com as roupas do cangaço, ele musicou um dos seus poemas para ser interpretado no ritmo do forró. Porém, como não tinha os músicos para interpretar a peça, convocou espontaneamente jovens da plateia que soubessem tocar ou arranhar a zabumba e o triângulo. Logo montou um pequeno grupo e improviso e cativou os expectadores.

“O recital foi muito bom, alguns autores trouxeram suas caravanas, suas torcidas. Todos interagiram  em apresentações muito ricas”, explica a coordenadora da mostra de Literatura Lidiane Cursino. Segundo ela, chamou a atenção da curadoria a qualidade e solidez das propostas, a maioria apresentada por estudantes dos cursos de Letras e com grande “intimidade com a linguagem”.

O tema “A Volta da Asa Branca”, envolvendo o nordeste, Luiz Gonzaga, o forró e o baião esteve presente em grande parte das propostas, mas não foi definitivo para selecionar as obras. Todos os trabalhos foram lidos para o público durante o recital, mesmo os contos e as crônicas, permitindo, conhecer de forma fiel a literatura produzida, hoje a partir da Universidade.

Artênius Daniel Foto: Fábio Bardella