Nascido no dia 11 de novembro de 1915, José Gomes Talarico possui uma história de militância que se mistura com a própria história política brasileira. Talarico foi aluno da Escola de Política, posteriormente Instituto de Criminologia, da Universidade de São Paulo (USP). Cursou também a Faculdade de Filosofia de São Bento, mas não concluiu nenhum dos dois cursos. Seu envolvimento com a política começou cedo e, em 1932, aos 17 anos, assumiu o cargo de secretário do Centro Acadêmico Oswaldo Cruz, na Faculdade de Medicina de São Paulo. Nesta época, assumiu também o secretariado da Confederação Brasileira do Desporto Universitário (CBDU).
Talarico começou sua carreira no jornalismo em 1933, na função de repórter do Correio Paulistano. Entre 1937 e 1938, trabalhou na sucursal do jornal carioca A Noite. Foi nesse período que participou da fundação da União Nacional dos Estudantes (UNE), entidade que surgia da necessidade de representação política da classe estudantil brasileira.
Em 1942, durante a Segunda Guerra Mundial, Talarico apoiou a entrada do Brasil no conflito e participou de manifestações antifascistas organizadas pela UNE e por outras entidades democráticas. Em 1945, participou da fundação do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), apoiando então a continuidade do governo Vargas. Nas eleições de 1950, Getúlio foi eleito e empregou o jornalista como chefe de imprensa do ministro do Trabalho Segadas Viana.
Talarico candidatou-se a deputado federal pelo Distrito Federal e exerceu o mandato entre 1956 e 1957. Quando presidente da Comissão Técnica do Sindicato dos Motoristas, em 1958, ele chegou a ser preso por ocasião de uma greve dos motoristas, quando levou representantes do sindicato ao Palácio do Catete. Em 1958, elegeu-se deputado federal pela segunda vez, também pelo Distrito Federal.
Em 1961, Talarico apoiou a posse de João Goulart na presidência da República. Posteriormente atuou como assessor sindical do presidente, tornando-se também um de seus melhores amigos. Defensor do governo Goulart após o golpe militar de 31 de março de 1964, teve os direitos políticos suspensos e o mandato cassado após a imposição do Ato Institucional nº1 (AI-1). Durante o exílio de João Goulart no Uruguai, Talarico manteve permanente contato com o ex-presidente, enviando-lhe relatórios sobre os acontecimentos no Brasil.
Preso 28 vezes e vítima de tortura durante a ditadura militar, Talarico teve um tímpano perfurado durante um dos interrogatórios. Seu último cargo público foi o de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, em 1985, aposentando-se no ano seguinte.
Talarico é casado com Alzira de Almeida e tem duas filhas. Longe de cargos políticos e partidários, tornou-se membro da diretoria da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), secretário da Federação Paulista de Esportes e presidente da Confederação Brasileira de Esportes Universitários.
[Fontes: Entrevista concedida ao Projeto Memória do Movimento Estudantil em 19 de outubro de 2004; Dicionário Histórico-Bibliográfico Brasileiro; Site da Associação Brasileira de Imprensa (http://www.abi.org.br/primeirapagina.asp?id=653); “Arquivos trazem à luz autodefesa de Goulart” IN: O Estado de S.Paulo, 1o. de dezembro de 2002].
Feito por Itamar de Assis Jr. em 14 de janeiro de 2005.