O movimento estudantil junto com as centrais sindicais e as entidades empresariais convocam a todos os estudantes, trabalhadores e patrões de São Paulo para um ato contra a desindustrialização, pela geração de mais emprego e renda nesta quarta-feira (4). A concentração será às 9h, em frente ao Monumento das Bandeiras e, de lá, partirá para a Assembleia Legislativa onde acontecerá o ato. 

Somando-se ao movimento “Grito de Alerta – em defesa da produção e do emprego’’, composto pelo conjunto das centrais sindicais, a Jornada Nacional de Lutas, realizada anualmente pela UNE, UBES e ANPG, em março, tem reunido milhares de estudantes pelas ruas do país na luta pela educação, gritando um “Não!” à política de altas taxas de juros, ao pagamento da dívida pública e ao corte do orçamento federal. 

Do outro lado, as centrais sindicais criaram o movimento Grito de Alerta, mobilização contrária a eliminação dos postos de trabalho na indústria nacional, a perda de participação da indústria no PIB brasileiro e o crescimento das importações de produtos acabados ao passo que as commodities ganham peso na balança comercial. 

UNE em defesa do desenvolvimento nacional

O presidente da UNE, Daniel Iliescu acredita que momento em que o país vive exige esta unidade. “O Brasil precisa tomar uma decisão e escolher um projeto de desenvolvimento, que passa pelo fortalecimento da indústria nacional. Depois de um baixo crescimento de 2,7%, veio um corte de R$ 55 bilhões do Orçamento e um superávit primário de R$ 140 bilhões. Não podemos permitir isso”, afirma. 

“A destinação de 10% do PIB e 50% do fundo nacional do Pré-Sal para a educação é imprescindível para a democratização do ensino e isto só será conquistado com uma forte mobilização contra a política macroeconômica do governo que está prejudicando a economia brasileira e afetando diretamente o desenvolvimento do país”, completa Daniel. 

De acordo com o presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Onofre Gonçalves, a parceria entre os empresários, trabalhadores e movimento estudantil é pontual. “O interesse é de todos. Ao unir forças do setor produtivo estamos convergindo para uma situação comum. Com a valorização da indústria, a economia forte, juros mais baixos e o desenvolvimento do país, a população geral só tende a ganhar”. 

O Brasil fechou 2011 com um saldo bem abaixo das primeiras projeções do governo, que era de 3 milhões de novos postos de trabalho na indústria, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O emprego industrial encerrou o ano com crescimento de 1,0%, ritmo abaixo do verificado em 2010 (3,4%). 

Segundo William Clemente Correia, articulador do ato pela Força Sindical, a estimativa é que, juntas, as entidades consigam levar para a manifestação mais de 100 mil pessoas. “O através da união de diversas entidades a nossa mobilização conseguirá levar pessoas de todas as regiões do estado. Do litoral ao interior, capital e ABC estão todos juntos na construção de um grande ato”. 

Aliadas com os movimentos sociais para lutar pelos direitos do povo brasileiro, as entidades estudantis pretendem levar para o ato milhares de estudantes para reforçar ainda mais a indignação pela falta de ousadia na baixa dos juros. “A Jornada de Lutas é o momento em que o estudante está nas ruas reafirmando suas bandeiras e dialogando isso com toda a sociedade, através da unidade com os outros setores do movimento social. Vamos forte, fazer um ótimo ato contra o aumento dos juros e à favor da regulamentação do ensino privado”,  acredita o presidente da UEE-SP, Alexandre Silva. 

União de forças

Desde o início do ano a UNE, UBES e ANPG, junto com representantes das centrais sindicais e entidades empresariais, lideradas pela Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos) , têm realizado uma série de reuniões para organizar a mobilização e a pauta de reivindicações.

“É importante essa junção para que os políticos constatem que os trabalhadores, empresários e estudantes se uniram por uma única causa, assim o grito será ouvido. Isso mostra que temos uma proposta para um país mais justo. A indústria brasileira de transformação está acabando e não podemos deixar que isso aconteça”, aponta o presidente da Abimaq, Luiz Albert Neto.

A proposta é que, com esta grande mobilização o governo e a sociedade tomem consciência dos efeitos negativos da falta de competitividade imposta à indústria brasileira no próprio mercado interno. 

Serviços:
O que? Jornada de Lutas e Grito de Alerta
Onde? Assembleia Legislativa – Av. Pedro Álvares Cabral, 201. São Paulo – SP
Quando? 4 de abril – Concentração às 9h – Em frente ao Monumento das Bandeiras 

Thatiane Ferrari
Foto: Agencia Brasil