Desde março, América latina vive a Jornada Continental de lutas dos Estudantes, contanto com diversas mobilizações e atos de protesto que tem reunido e levado às ruas estudantes latino-americanos e caribenhos para, em uníssono, levantar suas vozes contra a mercantilização da educação.
Ontem, 23, uma grande marcha, chamada “Patriótica”, reuniu mais de 35 mil colombianos de Bogotá, em sua maioria estudantes, famílias de camponeses e indígenas Bogotá, a um grande protesto pela democratização do estado e pelo acesso à educação. Amanhã, 25, é dia da juventude chilena levar centenas às ruas de Santiago para mais uma grande marcha (mais informações aqui).

A participação brasileira na Jornada Continental de Lutas dos estudantes traz a defesa de uma educação a serviço da integração da América Latina e também a solidariedade dos estudantes brasileiros aos dos demais países participantes, entre eles, Chile, Uruguai (baixe aqui um jornal com as atividades do movimento estudantil uruguaio), Argentina, Colômbia, Equador, Nicarágua, Porto Rico, Cuba e demais países do continente.
Para o diretor da UNE e secretário-executivo da OCLAE (Organização Continental Latino-americana e Caribenha de Estudantes), Mateus Fiorentini, “A jornada de lutas é a demonstração da força do movimento estudantil que segue vivo em sua tradição de ocupar as ruas em defesa da educação pública, gratuita e de qualidade. Ainda a alegria e a esperança da juventude em uma América Latina unida menos desigual e solidária”.

Veja no vídeo a seguir Mateus participando de um debate da Caravana da UNE em Porto Alegre:
A jornada, convocada durante do XVI Congresso Latino-Americano e Caribenho de Estudantes, em agosto de 2011, em Montevidéu, foi oficialmente lançada no dia 31 agosto do ano passado quando mais de 12 mil estudantes realizaram uma grande marcha em Brasília, com a presença da líder Camila Vallejo e do Secretário de Relações Internacionais da FUA (Federação Universitária Argentina), Juan Iglesias, reivindicando a destinação de 10% do PIB e 50% do fundo social do Pré-sal para educação.

Março Verde e Amarelo leva estudantes às ruas no Brasil
Em todo o Brasil, no período que ficou conhecido como “Março Verde e Amarelo”, estudantes foram às ruas e ocuparam suas universidades com debates e atividades para levantar suas vozes contra a mercantilização da educação, por mais investimentos e pelas bandeiras de luta regionais.
As paralisações começaram no dia 26 de março, em Porto Alegre, e seguiram em avalanche pelo Rio de Janeiro, Brasília, Tocantins, Acre, Alagoas, Bahia, Minas Gerais, Goiás e Paraíba, Amazonas, Paraná, Amapá e São Paulo.

A pauta de reivindicação deste ano trouxe a defesa incondicional dos 10% do Produto Interno Bruto (PIB) e 50% do fundo social do Pré-sal para a educação. Isso quer dizer que os estudantes protestam por mais dinheiro para a educação, o que consequentemente levará o país para o caminho do ensino de excelência, com mais acesso, mais bolsas, melhor salário para professores e funcionários, infraestrutura, fim do analfabetismo, mais pesquisa e extensão, além de tantas outras melhorias.
Grande Marcha no Chile
Essa será o primeiro grande ato do ano organizado no Chile. Os estudantes sairão da Praça Itália, às 11h, e cruzarão a cidade até a Estação Mapocho. No Chile, país em que os estudantes, em 2011, protagonizaram a luta contra a mercantilização da educação levando centenas de milhares às ruas, as mobilizações acontecerão até o dia 21 de maio.
O presidente da Federação de Estudantes da Universidade do Chile, Gabriel Boric, ressaltou o comprometimento dos estudantes com as causas.”O [Poder] Executivo não cumpriu com as demandas que se instalaram no ano passado e, por isso, vamos continuar mobilizados até transformar a educação do nosso país”.
Camila Hungria