Há exatos 41 anos, desapareceu o jovem Honestino Guimarães, de 26 anos, ex-presidente da UNE, ex-aluno do curso de geologia da UnB, que vivia na clandestinidade por ser perseguido pela ditadura militar. No dia 10 de outubro de 1973, após ser preso pela sexta vez, no Rio de Janeiro, ele nunca mais foi visto.

Mesmo depois de longos anos de incansável busca, sua família não conseguiu saber o que aconteceu com ele, que passou a fazer parte da lista de desaparecidos políticos pela ditadura de 1964.

No termo “desaparecimento” está encoberto quatro crimes do Estado brasileiro: sequestro, tortura, execução extra-judicial e ocultação do corpo.

Somente em abril deste ano foi publicado no Diário Oficial a declaração da anistia pós-morte ao líder estudantil. Quarenta e um anos depois, a causa morte pôde constar no atestado de óbito -antes incompleto- como dependente de tortura e atos de violência orquestrados pelo Estado.

Além disso, durante a 73ª Caravana da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça do Brasil, realizada em setembro de 2013, na Universidade de Brasília, a família recebeu na presença de amigos e estudantes um pedido de desculpas oficial do Estado brasileiro.

LUTA DA UNE

O período da ditadura é lembrado pelo desaparecimento de centenas de cidadãos brasileiros, entre eles, um número enorme de estudantes e lideranças da UNE, que travavam batalha incansável contra o regime autoritário e antidemocrático imposto. A lista oficial de desaparecidos durante a ditadura contém 457 nomes. A UNE nunca esqueceu. A entidade sempre marcou presença nas reivindicações de revisão da Lei de Anistia que nunca puniu torturadores e agentes da repressão, e na recuperação da memória desse período nefasto da nossa história.

Foi durante o 50º Congresso da UNE em julho de 2007 que foi realizada a primeira Caravana da Anistia fora do Ministério. Criada em 2001, a Comissão de Anistia é um conselho do Ministério da Justiça que tem por objetivo reparar perseguidos políticos e pessoas atingidas por atos de exceção durante a ditadura. Cerca de 60 mil processos já foram julgados.

Honestino foi o primeiro investigado da Comissão da Verdade da UNE que divulgou no 53º Congresso, em junho de 2013, um dossiê reunindo informações do período e cobrou acesso aos documentos do Estado – onde pode haver mais pistas sobre o que aconteceu com o estudante e onde encontra-se seus restos mortais – encaminhados à Comissão Nacional da Verdade.

Com o objetivo de confrontar a história contada pelo governo militar e resgatar a realidade dos fatos, reconstituir trajetórias individuais e de resistência do movimento estudantil na biografia do país que foi instalada a Comissão da Verdade da UNE em janeiro de 2013, durante o 14º Conselho Nacional de Entidades de Base, o Coneb, na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) em Recife. Composta por pesquisadores, historiadores, estudantes e colaboradores como Paulo Vanucchi, ex-ministro dos Direitos Humanos e integrante da Comissão Nacional da Verdade que se dedicaram a passar a limpo a história do líder estudantil.

Honestino foi eleito vice-presidente da UNE em 1969, na gestão de Jean-Marc von der Weid e em 1971 foi eleito presidente. Cumpria, na clandestinidade, suas tarefas na UNE e na AP, a Ação Popular. Acreditava que a transformação social brasileira só poderia ocorrer pela ação dos trabalhadores e estudantes organizados. Como qualquer jovem comum gostava de ir à praia, ao cinema, ao futebol no Maracanã, ao desfile de Escolas de Samba, tomar chope com amigos e jogar peladas no Aterro do Flamengo.

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 Assista também o documentário sobre o líder estudantil:

Cristiane Tada