Em 2005, para coroar a positiva trajetória da UNE no cenário internacional, a 4ª Bienal nasceu no propósito de provocar uma reflexão sobre as possibilidades da integração do continente, a partir do diálogo entre a cultura e as diversidades de seus povos. Com o tema “Soy Loco por ti América”, o festival ocorreu em São Paulo, paralelo ao XIV Congresso Latino Americano e Caribenho de Estudantes (CLAE), o que viabilizou a vinda de grande número de participantes de outros países.

O tema do congresso, “Outra América é Possível”, reforçou a ideia de unidade latino-americana ao propor mudanças na área econômica, política e social. Além de fazer circular os bens culturais produzidos nas universidades, o principal propósito da Bienal foi exatamente este: promover uma ampla reflexão sobre as possibilidades de integração da América Latina, a partir do diálogo entre a cultura de seus povos. 

“A 4ª Bienal foi bastante conturbada, com pouco tempo de preparação, pouco dinheiro e indecisão sobre qual local realizar a atividade. Inicialmente aconteceria em São Luiz. Deu errado. Depois surgiu a idéia de Santa Catarina, também não deu muito certo. Por fim, definimos fazer em São Paulo, no Parque Ibirapuera, na Fundação Bienal, no Museu de Arte Contemporânea e na Assembléia Legislativa em fevereiro de 2005”, relembra Tiago Alves, na época coordenador geral da Bienal.

Esta edição, como de costume, contou com uma rica programação de mostras universitárias, mostras convidadas, debates, oficinas e apresentação de projetos desenvolvidos pelo poder público, pelas entidades estudantis, ONG’s, sociedades científicas e universidades.

Foram vários os nomes de destaque que participaram da 4ª Bienal da UNE: o ministro da educação de Cuba, Vecinno Alegrete; a médica cubana e filha de Che, Aleida Guevara; Enio Candotti; Mino Carta; AzizAb’saber; Nação Zumbi; Serginho Groisman; Face da Morte; e a Soninha.

“A repercussão dessa edição foi internacional, até por conta da realização em conjunto do Congresso Latino Americano e caribenho dos Estudantes. Apesar das dificuldades do início, fizemos uma bela montagem para os espaços propostos para as mostras e para as presenças de personalidades como o Ministro da Educação Tarso genro, o Ministro dos Esportes Orlando Silva, o Ministro da Cultura Gilberto Gil, além de ministros da America latina e de uma figura simbolicamente importante, Aleida Guevara. Não dava mais pra gente conhecer o que era produzido na Colômbia através do que vinha enlatado dos EUA e voltava para cá. Na época, foi muito importante estabelecer este diálogo. E é por isso que eu sempre digo que a Bienal da UNE tem como tema principal a integração”, explica Gustavo Petta, na época presidente da UNE

Vale ressaltar que a culturata, uma passeata pela Cultura que fez parte também das outras três edições, foi um momento muito expressivo durante este evento. Do Vão Livre do Masp até o Monumento das Bandeiras, no Parque do Ibirapuera,  mais de cinco mil jovens de todo Brasil se concentraram e reivindicaram, principalmente, o aumento de verbas do governo federal para a Cultura.

 
Da Redação