A agenda da Caravana UNE Brasil+10 em Curitiba começou com a participação de Helena Nader, presidenta da Sociedade Brasileira pelo progresso da Ciência (SBPC), no Aulão Brasil+10, que aconteceu na manhã do último dia 10 no pátio da reitoria da UFPR. A tenda montada no centro do pátio, que é um retângulo aberto à rua, foi ocupada por mais de 150 pares de ouvidos atentos, entre estudantes, membros do corpo docente da universidade e pedestres interessados.

Temas como o corte nas verbas em educação, ciência e tecnologia, cotas nas universidades, financiamento privado de pesquisas, foram abordados durante a fala da professora. Ao final a principal mensagem que ficou do Aulão foi a necessidade de aumentar os investimentos em educação, e da juventude se engajar nessa campanha. Essa mensagem vai 100% de encontro com as principais bandeiras de luta da UNE, 50% do Fundo Social do Pré-sal e 10% do PIB para educação. “Investimento é educação, ciência e tecnologia. O resto é gasto. Todo estudante brasileiro precisa abraçar essa causa. Saiam às ruas pela educação!”, afirmou Helena.
Compondo a mesa estavam, também, lideranças estudantis do Paraná, o presidente da UNE, Daniel Iliescu, a coordenadora da caravana, Virgínia Barros, e o reitor da UFPR, Zaki Akel Sobrinho, que fez uma breve saudação aos presentes e parabenizou a UNE pela iniciativa de levar esse importante debate, “Brasil+10”, a 12 estados do país. A Caravana UNE Brasil+10 começou sua jornada em Brasília, passou por Porto Alegre e Curitiba, e agora ruma para o norte do país. As próximas cidades visitadas serão Manaus e Belém.
Abaixo, confira uma breve entrevista que o site da UNE fez com a professora após a atividade:

Como você avalia a importância da Caravana UNE Brasil+10?
Achei a ideia intrigante, brilhante! Após 200 anos da independência brasileira, temos que parar para pensar o que aconteceu com o país e temos que ter claro qual é o modelo de Brasil que buscamos. Comemora-se que o Brasil passou a Inglaterra no ranking de desenvolvimento econômico. Eu só vou comemorar no dia em que o Brasil ultrapassar a Inglaterra na educação. Educação, aí que está o futuro.
As principais bandeiras de luta da UNE são por mais investimentos para educação, 10% do PIB e 50% do Fundo Social do Pré-sal. Assim como o setor da educação, Ciência e Tecnologia também tiveram um corte de investimentos no início do ano (22%). Como você avalia esses cortes?
Os recursos que temos já são insuficientes, os cortes vão afetar, e muito, os financiamentos de pesquisa, por exemplo. A pauta da UNE por mais investimentos em educação é fundamental. Eu tenho também, uma campanha: cada um de nós deve convencer 10 pessoas a abraçar a causa e lutar por mais investimentos em educação. Nesse âmbito, o movimento estudantil é muito importante e a UNE desempenha esse papel com a juventude.
Como você vê a questão dos financiamentos à pesquisa na universidade feitos pelo setor privado?
Esse tipo de iniciativa precisa ser fiscalizada. Falar à universidade que ela não deve receber dinheiro privado é impedir que ela cresça. O setor privado tem, sim, obrigação de financiar pesquisas nas universidades. Para ver como esse dinheiro será usado entra a fiscalização, precisa haver transparência em relação aos financiamentos. Isso não é privatizar a universidade.
Para você, qual é o papel da universidade?
A melhor definição de Universidade é de Anísio Teixeira (intelectual e educador brasileiro): “Universidade significa gerar conhecimento, não transmitir”. Transmitir, uma biblioteca transmite. Gerar conhecimento é outra coisa. Precisamos parar e traçar um modelo de expansão do ensino superior. A UNE, os professores e a SBPC estão com uma parceria e podemos propor a verdadeira inclusão de nível superior. Não podemos abrir mão da universidade, mas eu não vou aceitar filiar escolas e chamar de universidade se elas não forem geradoras de conhecimento.
Sobre acesso à universidade, qual sua opinião sobre políticas afirmativas, como as cotas?
Não acredito em linearidade. Cada instituição precisa ver o modelo de cotas que cabe a ela, achar o seu modelo de acordo com as suas particularidades. Por exemplo, no Amazonas a cota para indígenas nas universidades tem que ser diferente das cotas nas universidades de São Paulo.
Camila Hungria, de Curitiba / Fotos Fábio Bardella