A um dia de deixar o cargo para se dedicar à campanha pela Prefeitura de São Paulo, o ministro da Educação, Fernando Haddad, ganhou nesta segunda-feira (23/01) despedida no Palácio do Planalto e comemorou o número de 1 milhão de bolsas concedidas pelo Programa Universidade Para Todos (ProUni).

O presidente da UNE, Daniel Iliescu, participou da cerimônia e em sua saudação falou da importância dessa milionésima bolsa para o Brasil. “O ProUni teve uma trajetória de muito debate e preconceito, inclusive dentro da universidade, e hoje faz parte do momento de democratização que o país vive, um pilar fundamental para o desenvolvimento que esperamos”, avaliou.

Por sua vez, Haddad lembrou das grandes reformas que aconteceu no ensino superior e falou sobre os motivos da ida a Brasília, a chegada ao Ministério da Educação e a ideia de criar o ProUni. “Acho que em 2004 não li um único parágrafo defendendo o ProUni nos jornais. Nenhum editorial, nenhum artigo de opinião, absolutamente nada”, disse o ministro sobre o programa que completou nesta terça oito anos e tem parceria com mais de 1,3 mil instituições em 1.354 municípios. Atualmente, são 460.926 estudantes que cursam o ensino superior com bolsa do ProUni.

A cerimônia contou com a presença da Presidenta da República, Dilma Roussef. Ela desejou sucesso a Haddad e ao sucessor, Aloizio Mercadante, que deixa a pasta de Ciência, Tecnologia e Inovação, na qual será substituído por Marco Antônio Raupp, ex-presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

Em seu discurso, Dilma afirmou ter “orgulho” do programa porque é “um dos mais importantes instrumentos de distribuição de renda do país”. “Com a educação você não só distribui renda, mas constrói um modelo de desenvolvimento sustentável”, disse. “Não tem como construir um futuro se você não constrói um sistema de oportunidades no presente”, completou

Sete anos na Esplanada

Fernando Haddad, que curiosamente completa 49 anos no dia do aniversário de São Paulo, 25 de janeiro, é bacharel em direito, mestre em economia e doutor em filosofia. Em 1985, ele foi presidente do Centro Acadêmico (CA) XI de Agosto, o órgão representativo dos estudantes da Faculdade de Direito da USP, em São Paulo. Ele assumiu o ministério da Educação do governo Lula em 29 de julho de 2005, quando o ex-ministro Tarso Genro deixou o cargo para assumir a presidência do Partido dos Trabalhadores (PT).

Durante sua gestão, o MEC transformou o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) na principal porta de acesso às universidades e à Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica. Mesmo enfrentando problemas e críticas, o exame, utilizado para avaliar o desempenho de alunos que estão concluindo ou já concluíram o ensino médio, consolidou-se e se tornou critério de seleção para os estudantes que concorrem a uma bolsa do ProUni (Programa Universidade para Todos). O Enem promove, ainda, a certificação de jovens e adultos no ensino médio.
 
O presidente da UNE reconheceu que a gestão de Haddad teve inegáveis avanços, como a própria disseminação do ProUni, e enfatizou a sensibilidade do ministro em acolher as bandeiras do movimento estudantil como um grande diferencial. “Estivemos do mesmo lado em alguns momentos, como no debate do ProUni e nos últimos Congressos da UNE e da UBES. Acredito que a relação que se estabelece entre governo e movimento estudantil deve ser pautada por essa mesma sensibilidade que Haddad construiu ao longo desses sete anos.”, disse.

Da Redação
Foto: José Cruz/ Agência Brasil