Jornalista há 18 anos, o presidente da Empresa Brasileira de Comunicação (EBC), Nelson Breve, participou de uma mesa de “Democratização da mídia” no CONEB da UNE na manhã deste sábado (19), na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). O encontro reúne, até o dia 21, mais de 4 mil estudantes de todo o pais.

Nascido em Ourinhos, no interior de São Paulo, Nelson Breve formou-se em jornalismo na Escola de Comunicações e Artes (ECA), da Universidade de São Paulo (USP). Ele trabalhou como repórter da Rádio Eldorado, pertencente ao Grupo Estado, e foi repórter especial da Agência Estado.

Após participar do debate (leia aqui), Breve falou ao site da UNE sobre a EBC, movimento estudantil  e a regulamentação da mídia no Brasil. Confira abaixo:

Como vocês constroem a agenda do dia a dia da EBC?

A nossa agência trabalha com independência. Ela sucede uma agência que era estatal, mas agora nós temos um Conselho Curador formado, majoritariamente, por representantes da sociedade civil, que a acompanha para que ela observe os princípios da comunicação pública. Portanto, não há nenhum tipo de interferência do poder executivo federal na produção do material jornalístico da agência.

Como avalia o debate sobre a legislação da comunicação no Brasil atualmente?

A área de radiodifusão no Brasil está com a legislação muito defasada, ainda datada dos anos 60. Então, esse marco legal, precisa ser atualizado, modernizado. Há uma proposta que está sendo aprofundada e avaliada no âmbito do Ministério das Comunicações e eu acredito que em breve ela será levada a consulta pública para a sociedade. Eu acredito, além disso, que ela vai prever alguma instancia para que haja uma participação maior da sociedade no acompanhamento da política de comunicação do país.

O que você pensa do funcionamento dos meios no Brasil?

A rede privada dos meios de comunicação se instalou primeiro no nosso país e, portanto, construiu uma tradição e cativou o público com seus conteúdos. No entanto, há uma carência no país de uma programação que seja mais plural, que represente mais a nossa diversidade, uma comunicação de nível nacional que dê mais voz aos setores que hoje não são tão ouvidos para falar de políticas públicas e dos problemas nacionais. Há também carência de uma comunicação voltada para a formação da criança e da cidadania. Então, esse é o espaço que os meios públicos de comunicação devem ocupar, a meu entender.

Gostou de participar desse debate no CONEB?

Primeiro, queria agradecer o convite e dizer que é importantíssimo discutir democratização da mídia para a própria democracia no Brasil. Vinte, trinta anos atrás, pessoas que estão no governo federal hoje estavam aqui no CONEB discutindo, mobilizando e construindo um futuro. Gostei de vivenciar isso hoje, ao lado de uma outra geração, que ainda pratica o debate de ideias, que ainda luta por um novo Brasil.

Patrícia Blumberg