A paralisação nacional nas universidades federais brasileiras já dura 62 dias e conta com a participação de 57 das 59 instituições federais . O movimento, que reúne docentes, estudantes e funcionários, tem como um dos seus pontos principais a luta dos professores universitários pelo cumprimento de acordos e reajustes com a categoria, principalmente no que diz respeito ao seu plano de carreira.

A principal motivação da greve dos professores foi o governo não cumprir o combinado firmado em 2011, durante uma paralisação que durou catorze dias. Na ocasião, foi estabelecido o reajuste de 4% dos salários e a elaboração de um projeto para a reestruturação da carreira a ser instaurado até o dia 31 de março de 2012. No entanto, diversas reuniões foram realizadas sem que houvesse sido apresentada contraproposta por parte do governo, culminando no movimento grevista atual.

NEGOCIAÇÕES EM MARCHA LENTA

Apesar da grande adesão das universidades federais, a primeira proposta do governo foi apresentada somente no último dia 13 de julho, quando o ministro da educação, Aloizio Mercadante, recebeu membros do comando de greve dos docentes. Pela proposta, os níveis da carreira seriam reduzidos, passando de 17 para 13, e os salários sofreriam um reajuste de até 45% em três anos. Para as demais entidades representantes da greve dos servidores públicos não houve ainda sinalização de negociação por parte do governo.

PROFESSORES ESTUDAM A PROPOSTA

Em entrevista ao portal da UNE, a presidente da Associação Nacional dos Docentes do Ensino Superior (Andes) Marinalva Oliveira afirmou que a questão será debatida até a próxima sexta (20), em assembleias realizadas pelos sindicatos locais. À primeira vista, segundo a dirigente, os professores deverão rejeitar a proposta: “Nosso primeiro passo é de reprovar. A proposta não valoriza o piso salarial, já que será colocada em prática apenas em 2013. Ela não atende as nossas reivindicações e, sim, aprofunda a desestruturação e precarização do trabalho docente”, justificou.

As reivindicações da categoria são divididas em três pontos: aumento salarial, melhoria nas condições de trabalho e reformulação do plano de carreira. A proposta do governo contempla o aumento salarial e a reformulação do plano de carreira. Porém, o aumento não atenderia a todas as classes já que somente professores titulares e associados receberiam os 45% de aumento – dividido em 3 parcelas, sendo a primeira no meio de 2013, a segunda no meio de 2014 e a última, no meio de 2015. No quesito ‘’carreira’’ a diminuição de 5 níveis para a progressão não atende às expectativas do Andes. Atualmente, existem cinco categorias de docentes, em ordem crescente de salário. Cada uma dessas categorias tem quatro “níveis” internos. Para o sindicato, a subida de nível deve ser feita automaticamente a cada 24 meses, sem empecilhos.

O portal G1 preparou uma tabela que explica, didaticamente, a questão envolvendo o reajuste e o plano de carreira dos professores da universidades federais. Veja abaixo:

Renata Bars