Iniciada há 39 dias, a greve nas federais ganha a cada dia maior adesão, até o momento 54 instituições estão paralisadas. Docentes de universidades, funcionários técnico-administrativos e estudantes vêm se organizando para apoiar esta luta iniciada pelos professores, mas que também é de toda a sociedade, a luta pelo direito a uma educação pública e de qualidade. Demonstrando unidade da mobilização e adesão à causa, estudantes da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) reuniram em um documento oficial, apresentado ontem, 25/06, suas pautas de reivindicação nessa greve.
A carta foi oficialmente apresentada durante uma reunião do comando de greve dos servidores técnico-administrativos da UFAM e, na mesma ocasião, entregue à Senadora Vanessa Grazziotin, presente no encontro
“Após uma assembleia do comando de greve no dia 30 de maio, a necessidade de pontuar as reivindicações dos estudantes em um documento oficial ficou clara. Por exemplo, muitos pais têm procurado a universidade para saberos motivos pelos quais seus filhos não estão tendo aula. Estamos em um momento de alinhamento”, explicou a presidente da UEE-AM, Beatriz Calheiro.
Entre as reivindicações está a destinação de 10% do PIB e 50% dosrecursos do Fundo social do Pré-sal para educação, ciência, tecnologia e inovação, bandeira nacional de luta do movimento estudantil. Assistência estudantil também compõe o documento, creches universitárias, Casa do Estudante e garantia de locomoção para os mesmos são alguns dos pontos destacados.
Além disso, os estudantes de Manaus também requerem a implantação de um plano emergencial para conclusão das obras de infraestrutura atrasadas na universidade, como o Centro de Convivência e o R.U do campus de Manaus. No mês de Maio, a Caravana da UNE passou pela UFAM, e, juntamente como DCE da universidade, foi realizada uma Blitz Estudantil na Obra Atrasada do Centro de Convivência para cobrar da reitoria a finalização da obra, a inclusão na pauta da greve demonstra aurgência da demanda.

Dia de luta pela educação em Brasília
Após o recebimento da carta, a senadora Vanessa Grazziotin falouhoje (26/06) sobre a greve no senado. Em sua fala, a senadora pediu mais compreensão do governo para negociar a pauta de reivindicações dos professorese demais servidores que participam do movimento. Vanessa disse, também, apoiara reivindicação da comunidade acadêmica de investimentos de, no mínimo, 10% do Produto Interno Bruto (PIB) na área da educação.
Pela manhã, centenas de estudantes realizaram uma grande marcha pela educação em Brasília. Após o ato, rumaram para o MEC, onde uma comissão foi recebida pelo ministro da educação, Aloízio Mercadante, que ouviuas pautas e anseios dos estudantes, representados pelo presidente da UNE,Daniel Iliescu, e pela presidente da UBES, Manuela Braga.

Luta em Manaus continua com agenda de mobilizações
Está marcada para a tarde da próxima sexta-feira (29/06), um grande ato na cidade. Chamado de “UFAM na Praça”, a manifestação, organizada em conjunto pelos estudantes, docentes e técnico-administrativos levará ao Largo do Mestre Chico debates e intervenções culturais.
“Ao sair da universidade e ir para uma região central de Manaus,queremos tornar a sociedade mais próxima da universidade e apresentar a importância que a UFAM tem para o nosso estado”, completou Beatriz.
Carta de Reivindicações Estudantis – Universidade Federal do Amazonas/UFAM
Neste momento de acirramento das lutas na universidade, na qual os estudantes tem empreendido um constante processo de mobilizações, enxergamos no movimento conjunto da comunidade acadêmica – Professores, Servidores e Estudantes, a possibilidade de vitórias para toda a universidade.
Infelizmente, os cortes de quase 5 bilhões no orçamento da educação, no último período, e a política econômica que destina 49% para pagamento de juros e menos de 5% do Produto Interno Bruto para Educação, são responsáveis pelo Brasil ocupar o 88ºlugar de 127 no ranking de educação feito pela Unesco, convivemos com a vergonhosa marca de menos de 15% dos jovens de 18 a 24 anos no ensino superior, isso significa que o direito à um diploma universitário é negado à mais de 85% de nossa juventude, majoritariamente os filhos da classe trabalhadora.
As universidades federais brasileiras vivem um momento de grande efervescência e a nossa participação é decisiva nesse momento, em especial no que diz respeito à conquista da educação de qualidade para todos, como chave do desenvolvimento e da correção de injustiças sociais históricas de nosso país.
Comprometidos com as intervençõesque ajudaram a definir as necessidades da ordem mais especifica, até a questão macro de Investimento apresentadas nas Assembleias Estudantis nesse período de Greve nas Federais, abaixo relacionamos nossas reivindicações:
– Destinação de 10% do PIB e 50% dos recursos do Fundo Social do Pré-Sal exclusivamente para a educação, ciência, tecnologia e inovação.
– Expansão qualificada do sistema público de educação superior através da interiorizaçãodas universidades públicas que já existem e criação de novas em regiões estratégicas para o desenvolvimento nacional e regional, com especial atençãoaos cursos noturnos.
-Que as Políticas Públicas para Educação, respeitem as questões regionais para oinvestimento, principalmente numa região como nossa, é preciso reconhecer o Custo Amazônico.
– Implantação de um plano emergencial para conclusão das obras de infraestrutura que estãoatrasadas na universidade, como o Centro de Convivência e o RU do Setor Norteno Campus de Manaus e nos demais polos, como Parintins: a Quadra de Educação Física e a Fazenda Experimental.
– Valorização dos Professores, Servidores e Técnicos, com o Plano de Cargos e Carreiras que atendam os anseios das Classes.
– Contratação de mais professores e servidores técnico-administrativos para atender a demanda de cada polo da UFAM, via concurso público.
– Paridade nos conselhos superiores, implementação do Orçamento Universitário participativo.
– A triplicação das verbas que o governo, por meio do Plano Nacional da Assistência Estudantil- PNAES destina à assistência estudantil.
– Construção do R.U Setor Sul e nos Pólos do Interior, com Cozinha própria.
-Disponibilização de Refeições em todos os Turnos, garantindo a oferta no horário noturno.
– Construção do Novo Prédio e Investimento nas Bibliotecas universitárias, com ampliação de acervo, da capacidade, do horário de atendimento e da viabilização de novas técnicas de acesso à informação, capital e interior.
– Investimento na Reforma e na Modernização do Hospital Universitário
– Melhoria de Sinal de Rede de Internet e de Comunicação Telefônica
– Laboratórios de Informática em todas as Unidades, Capital e Interior com disponibilidade de Servidor para garantir atendimento em todos os Turnos.
– Fazendas Experimentais bem equipadas e com a garantia dos mecanismos que garantam as aulas de campo, como transporte e diárias.
– A urgente aquisição de Embarcações que garantam a locomoção nos polos, onde este é o principal meio de locomoção.
– Casa do Estudante– Construção no Campus Manaus e Pólos do Interior, com cozinha, lavanderias e ampliação de vagas.
– Construção da Creche Universitária, pois está mais do que na hora, da universidade compreender seu papel social e assistência estudantil no sentido mais amplo,
-Incentivo à pesquisa e extensão, ampliação de bolsas e do valor disponibilizado.
Por fim, reforçamos que este movimento não deve ser alheio a Defesa da Expansão comqualidade e da luta pela Ampliação de Vagas, para garantir um país demais justo e de todos.
Da Redação