Nesta sexta-feira (05/04) a UNE realizou a terceira reunião de trabalhos da sua Comissão da Verdade na Universidade Federal de Goiás (UFG), em Goiânia, Goiás. Além do grupo de trabalho fixo que vem conduzindo as ações, participaram alunos, professores, historiadores e pesquisadores, do Instituto Federal de Goiás (IFG), da Universidade Estadual de Goiás (UEG), da União Estadual de Estudantes de Goiás (UEE-GO) e da UFG.

Desde a última reunião foi decidido que Honestino Guimarães e Alexandre Vannucchi Leme serão os primeiros nomes que terão as circunstâncias de morte investigadas pela Comissão da Verdade da UNE. Honestino nasceu em Itaberaí (GO), foi presidente da UNE, militou contra a ditadura e foi morto em situação desconhecida. A UNE quer apresentar um dossiê inicial dos trabalhos de sua Comissão já no seu 53º ConUNE, que será realizado de 29 de maio a 02 de junho em Goiânia. “Nada mais significativo que realizar uma reunião de trabalho aqui no estado natal dele e onde apresentaremos os primeiros resultados da nossa Comissão”, explicou o presidente da UNE, Daniel Iliescu.

Segundo o diretor da UNE, Jonatas Moreth, foi formado um comitê na UFG para servir de apoio à Comissão da Verdade da UNE. Este comitê vai trabalhar na busca ativa das comissões existentes no estado; na busca de pesquisadores na universidade dispostos a colaborar; na preparação de um grande ato durante o 53º ConUNE. A ideia é articular com as autoridades locais para que a Praça Universitária da cidade, nomeada oficialmente de Praça Honestino Guimarães receba um busto, ou uma espécie de monumento para homenagear o líder estudantil. “Foi uma reunião muito para cima, dividimos tarefas e todos saíram empolgados em colaborar”, afirmou Moreth.

 Goiás e DF no resgate da memória

A reunião planejou ainda a interação com as Comissões da Verdade do Distrito Federal e da Universidade de Brasília (UnB), instituição que Honestino cursou geologia. Foi previsto também o contato com um grupo de ex-estudantes da UnB da década de 70, que conta com militantes que atuaram no movimento estudantil na época.

O Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFG e os Centros Acadêmicos (CAs) se comprometeram em procurar documentos em seus arquivos que contribuam para a pesquisa. Presente na reunião, o jornalista Pinheiro Salles que viveu nove anos de cárcere durante o regime militar, autor do livro Confesso que peguei em armas, ficou de contribuir com algum de seus textos na compilação de material bibliográfico sobre o período que a Comissão vem desenvolvendo. “Goiás tem muito para oferecer nessa luta pela verdade. Aqui tivemos muitas figuras importantes desse período histórico, anistiados políticos, intelectuais que pesquisam e trabalham nessa área”, afirmou Iago Campos, presidente do DCE da UFG.

A próxima reunião da Comissão da Verdade da UNE acontece no dia 19/04 em São Paulo.

Cristiane Tada