A UNE e UBES se reuniram nesta terça-feira (13/01) no Ministério da Educação, em Brasília com o novo chefe da pasta, Cid Gomes. A reunião foi o primeiro encontro do Grupo de Trabalho designado pelo Fórum Nacional de Educação (FNE) – órgão que concentra poder público e sociedade civil organizada – com o membro do governo e teve como objetivo a avaliação da Conferência Nacional de Educação (Conae) realizada de 19 a 23 novembro de 2014.
O grupo de trabalho irá produzir uma proposta de documento de avaliação da Conae, que depois será levada ao Fórum todo para adequações e aprovação. As entidades estudantis apresentaram pontos importantes para o debate da qualidade da educação, pública e privada.
“É fundamental debater a Reforma Universitária, repensar os currículos das universidades e o modelo de participação democrática na instituição como o fim da lista tríplice para escolha de direção da instituição e a defesa da eleição direta, democrática e paritária”, destacou a diretora de Universidades Públicas da UNE, Mirelly Cardoso, representante da entidade no FNE.
A presidenta da UBES, Barbara Melo, também falou em reforma durante a reunião. “Valorizei a iniciativa da presidenta [Dilma Rousseff] em declarar pátria educadora como lema do país, esse compromisso perpassa por uma reforma no ensino médio, perpassa por interromper e reverter a desnacionalização das universidades e investir na estrutura dos estabelecimentos de ensino e na assistência estudantil”, afirmou.
A diretora da UNE concordou lembrando de uma das principais bandeiras da UNE nesta gestão, a regulamentação do ensino Superior Privado.
“É dever o Estado buscar o processo de regulamentação do setor privado de educação, com os grandes programas de financiamento estudantil, fies e outros. O fluxo de verbas para o setor privado cresce muito e assim a responsabilidade pelo modelo e qualidade de ensino que os e as estudantes terão nessas faculdades deve ter atenção profunda do MEC. Haja visto, o que aconteceu com a faculdade Gama Filho no Rio no período passado”, afirmou.
Mirelly destacou ainda para o Ministro a luta por uma educação tolerante e inclusiva e a urgência de repensar a educação para o combate das intolerâncias de gênero, raça e diversidade sexual. “Casos como o estupro ocorrido recentemente na USP e recorrente em muitas universidades não pode ser invisibilizado. As mulheres já são mais de 50% do corpo discente de todas as universidades do país, mas ainda assim o machismo é recorrente nas salas de aulas, corredores, por professores, nas escolhas de direção, das vagas de iniciação científica, em todos os ambientes”, disse.
Já a presidenta da UBES ressaltou a importância do fortalecimento e empoderamento do Forúm, crucial na aprovação do PNE. “O Plano Nacional de Educação é uma grande vitória, mas para ser implementado os fóruns estaduais e municipais de educação precisam ainda se consolidar”, afirmou.
Para as entidades estudantis com a conquista dos recursos do pré-sal e royalties para a educação é preciso melhorar a distribuição e implementação das políticas educacionais de acordo com as metas do PNE.
Grupo de Trabalho do Fórum Nacional de Educação
Cristiane Tada
Fotos: Diego Rocha ACS/MEC.