Um encontro clássico. Foi essa a definição do presidente da UNE, Daniel Iliescu, na tarde da última quinta-feira (30) para descrever a impressionante reunião de lideranças políticas do Brasil na mesma mesa de debate, durante o Congresso da entidade em Goiânia. Com convergências e divergências, promovendo porém uma saudável construção de ideias, o fórum teve, como grande identidade, a vontade de todos por mudanças na estruturas do país.

Em uma mesma mesa que demonstra a extensa capacidade democrática da UNE, reuniram-se Renato Rabelo (presidente do Partido Comunista do Brasil-PCdoB), Luiz Dulci (direção nacional do Partido dos Trabalhadores-PT), André Roberto Menegotto (secretário nacional adjunto do Partido Democrático Trabalhista-PDT), Valdir Raupp (presidente do Partido do Movimento Democrático Brasileiro-PMDB), Irapuã Santos (executiva nacional do Partido Pátria Livre-PPL), Ivan Valente (presidente do Partido Socialismo e Liberdade-Psol), Roberto Amaral (vice-presidente do Partido Socialista Brasileiro-PSB) e Heron Barroso Silva de Menezes (comitê central do Partido Comunista Revolucionário-PCR).

Vice-presidente da UNE em 1966, em meio aos difíceis anos da ditadura militar, o presidente do PcdoB ressaltou que o movimento estudantil sempre foi o encontro de todas as forças de juventude que se levantavam contra a opressão. “Esse diálogo proposto aqui pela diretoria da UNE é importante, mostra quais sãs as forças que historicamente estão envolvidos com um projeto popular e participativo.”

Segundo ele, o confronto de ideologias e posicionamentos é valioso: “É importante estarmos abertos para debater, discutir, mesmo que haja discordância. As ideias mais avançadas surgem do fragor das opiniões”, defendeu. A lembrança de uma unidade de todas as forças presentes no período da ditadura militar foi também resgatada pelo presidente do PMDB Valdir Raupp. “Caminhamos juntos naquela longa noite da opressão”, afirmou ele, lembrando a luta pela democracia. Raupp afirmou que, hoje em dia, há movimentos muito importantes de unidade dessas forças, principalmente a partid do movimento estudantil “É o caso da defesa do tão sonhado e esperado estatuto da juventude”, ressaltou.

O presidente do Psol Ivan Valente lembrou que este Congresso da UNE marca os 45 anos do histórico Congresso de 1968, que reuniu uma geração de estudantes em resistência à ditadura. “Quero primeiramente fazer uma homenagem a essa geração”, afirmou. Porém, Valente apresentou também o seu olhar sobre o futuro, esclarecendo seu conceito de projeto de desenvolvimento para o país.

“Nós entendemos que esse projeto popular passa por defender medidas nacionais democráticas, anti-imperialistas, antio-monopolistas, anti-latifundiárias. Isso significa enfrentar as bases da estrutura de classe na nossa sociedade. Isso significa mobilização popular”, convocou.

Vice-presidente da UNE em 1962, o líder do PSB e ex-ministro Roberto Amaral também disse da importância dessas forças políticas demonstrarem sua concepção de desenvolvimento nacional. “A direita também se diz nacionalista, mas com o nacionalismo deles não comungamos”, exemplificou. Em um dos momentos que foi mais aplaudido, pediu o avanço e garantia das investigações da Comissão da Verdade, criada pelo governo federal para apurar perseguições, torturas, mortes e crimes da ditadura militar. “Não é possível que, tantos anos depois de termos estados juntos, não consigamos saber o que aconteceu com nossos desaparecidos da ditadura”, indignou-se.

Da Redação