Festival de cinema em todo o país, Festival da América Latina em Corumbá, feira de livro em Belém, teatro em Floripa e Sampa. Se joga no fim de semana! 

Festival de Cinema Varilux é sempre uma boa pedida. Acompanho já alguns anos e a curadoria sempre capricha. Este ano ele acontece em 40 cidades do Brasil.  Neste fim de semana ta rolando em:

Belo Horizonte, Brasília, Campinas, Cotia, Curitiba, Florianópolis, Fortaleza, Goiânia, Indaiatuba, João Pessoa, Jundiaí, Macaé, São Gonçalo, Nova Friburgo, Porto Alegre, Recife, Resende, Ribeirão Preto, Rio de Janeiro, Salvador, Santos, São Paulo, Sorocaba, Vitória e Vila Velha.

Destaque para os filmes:  Camille Claudel 1915 e Adeus, Minha Rainha. Os dois sobre mulheres marcantes na história. Camile Claudel é uma escultora francesa que teve um tórrido romance com Auguste Rodin – inclusive a ponto de suas obras se confundirem. O filme é sobre o período em que ela vive em um sanatório, internada pela família. Outro motivo para ver quem interpreta Camille é  a atriz Juliete Binoche. Em Adeus, minha Rainha a história é sobre a Maria Antonieta morta na guilhotina em 1793, durante a Revolução Francesa e a relação com sua criada que tinha o papel de ler para sua rainha.

O que? Festival de Cinema Varilux. Quando? Até 16 de maio. Onde? Várias cidades. Quanto? Preços variados de acordo com o cinema. Mais informações e programação: variluxcinefrances.com

Corumbá – MS

O que? Show da cantora Ana Carolina, no 10º Festival América do Sul. O Festival reúne Brasil, Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela, em um evento de integração de povos, com dança, literatura, teatro, dança e shows musicais. Onde? Praça Generoso Ponce (Alameda Arthur Mangabeira – Beira Rio) Quando? 04/0 às 20h – o Festival vai até dia 05/05. Quanto? Entrada livre. Mais informações e programação do festival: festivalamericadosul.com.br

Florianópolis – SC

O que? Espetáculo Flor das Águas. O enredo fala da cultura brasileira de mitologia sobre as deusas do mar, do lago, da chuva, do rio e da cachoeira. Quando? 04 e 05/05. Onde? Teatro da UFSC (ao lado da Igrejinha, Praça Santos Dumont, Trindade). Quanto? R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia), ingressos à venda 1h antes no início da peça na bilheteria do local. Mais informações: [email protected].

Belém – PA

O que? XVII Feira Pan-Amazônica do Livro. No domingo a feira traz o escritor carioca Affonso Romano de Sant’Anna. Quando? Até dia 05/05, das 10h às 22h. Onde? Hangar – Convenções e Feiras da Amazônia. (Av. Dr. Freitas s/n) Quanto? Entrada livre. Mais informações: feiradolivro.pa.gov.br

São Paulo – SP

O que? Peça A propósito de Senhorita Júlia. Quando? Até 30 de junho de 2013, sexta e sábado, às 20h e domingo, às 19h. Onde? Teatro CCBB (Rua Álvares Penteado, 112 – Centro). Quanto? $ 6 (inteira) e R$ 3 (meia). Mais informações: (11) 3113-3651

Uma Senhorita Julia moderna com preocupações do século XIX

Sempre entra dicas de espetáculos nos centros culturais do Banco do Brasil na nossa coluna, mas tinha esquecido como era difícil conseguir ingressos. Lá fui eu no CCBB – SP querendo assistir A propósito da Senhorita Júlia – direção de Walter Lima Jr e adaptação de José Almino – no sábado passado e na bilheteria fui informada de ingressos só para junho! Mas incentivada pelo bilheteiro achei que valia engrossar uma fila para caso houvesse alguma desistência. Bingo! Consegui entrar e pagar apenas R$3 (meia para clientes do BB, é incrível o preço do CCBB). Para futuros espetáculos esgotados essa dica é quente: chegar uma hora antes e esperar alguma desistência, o que segundo o pessoal da bilheteria acontece sempre.

Bom a peça é uma adaptação de um texto clássico “Senhorita Julia”, de August Strindberg, escrito em 1887. Clássico porque os temas são eternos: luta de classes, libertação da mulher, jogos de poder e dominação entre a filha do patrão e o motorista. A adaptação transpõe a trama para o Brasil durante o início do governo Lula. Aí que pegou o negócio. Bom pano de fundo crítico, mas creio que na época de Strindberg as estruturas sociais eram beemm mais severas tanto na mobilidade de classes, quanto na diferença de gênero.

Então muitos dos entraves dramatizados (e põe drama nisso) ficaram um pouco sem razão de ser num Brasil atual. Na verdade muita coisa ficou confusa também. Tive que ir atrás do texto original para entender coisas que a peça não sugeriu. Tipo era para a virgindade da Júlia ser importante? Jura? Na versão eu não flagrei.

Em vez de rico proprietário de terras o pai da Júlia nesta versão é um suposto deputado de esquerda hipócrita. Olha achei meio forçado isso também, para o caso valeria mais dizer que ela era filha de um Elke Batista assim. Quem sabe ficaria mais absurdo ter um caso com um empregado…

Em uma horas de tensão eu (e a plateia) não sabíamos se era para rir ou não. E um cara veio me perguntar quem eu achei que morreu no fim. Ainda que o esquema da peça fosse não ser lá muito cartesiano e que a história não tenha que responder todas as perguntas – ainda sim acho que o propósito da Senhorita Julia ficou meio despropositado.

Mas texto clássico a gente tem que ver. Ainda mais com Alessandra Negrini que acho uma boa atriz. E pelo preço, não tem como dizer não. (Cristiane Tada)

Cristiane Tada