Ser mulher em uma sociedade guiada pelo patriarcado é um desafio. Mas o que significa ser mulher e negra nessa mesma sociedade? Esta e outras questões foram abordadas na tarde deste sábado (4/4) durante o debate sobre feminismo negro promovido pelo IV Enune, na Universidade Estadual da Bahia (Uneb), em Salvador.ão vamos en

A plateia assistiu às convidadas Luana Hansen, mc e feminista, Gabriela Valim, representante da Unegro, Gabriela Fonte, representante do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), Alline Camila, representante do Levante Popular da Juventude e Mariana Lacerda, representante da Marcha Mundial das Mulheres ,explananarem sobre as dificuldades da mulher negra nos dias atuais.

”Se pras mulheres brancas o patriarcado veio para oprimir, as mulheres negras tiveram que lutar bravamente para se manter vivas, para defender seu povo, sua religiosidade, seus corpos. O feminismo tem que entender que as mulheres negras sofrem dupla opressão, tanto de gênero quanto de raça. Por isso é tão importante constuir a pauta das mulheres negras no movimento. Precisamos enegrecer o feminismo”, falou Mariana Lacerda.

Para a rapper Luana Hansen, o feminismo tem que entender a opressão sofrida pela mulher negra e da periferia, que inclui muito mais do que o machismo impõe às mulheres brancas. ”É metira que policial não bate em mulher. É mentira que policial não invade a casa de pobre sem mandado. As mulheres negras na favelas tem seus corpos e casas violados, por isso é fundamental pautarmos essas lutas. É isso que eu tento pautar no rap. Empoderar a mulherada preta”, enfatizou.

SEGREGAÇÃO HISTÓRICA

A retirada dos negros na África e a colonização escravagista no Brasil foram apontados como as causas da segregação do povo e das mulheres negras.

”Não podemos pensar em feminismo sem pensar na localização geográfica da mulher. Não vamos entendê-lo como essa construção eurocêntica em que o homem branco enxergava a mulher branca como um peso. Na África haviam outras demandas. A mulher negra não tem uma luta individual mas sim uma luta pela sua comunidade, contra o racismo que seus companheiros, irmãos, filhos e pais também sofrem. O feminismo negro é a luta pela emancipação de um povo”, destacou a representante da Unegro, Gabriela Valim.

Renata Bars