Na tarde desta quarta-feira (18/7) cerca de 10 mil pessoas se reuniram em frente à Esplanada dos Ministérios, em Brasília, para uma grande marcha pelo reajuste salarial dos docentes e servidores públicos das universidades federais, em greve desde o dia 17 de maio.

O movimento contou com a participação de milhares de estudantes de Goiás, Mato Grosso, Piauí , Paraíba e Rio de Janeiro; servidores da educação, saúde, agências reguladoras e outras instituições.

A paralisação já tem a maior adesão registrada pelo Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES). Há mais de sessenta dias, 57 das 59 universidades estão paradas, além dos 37 institutos e centros de educação tecnológica.

Durante a caminhada, que terminou em frente ao Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, os grevistas pediram uma política salarial permanente,reestruturação da carreira, reposição inflacionária e incorporação de gratificações, além de melhores condições de trabalho e valorização salarial.

“Essa belíssima marcha que realizamos hoje é resultado da indignação dos servidores públicos federais pela falta de compromisso do governo com as políticas sociais, especialmente com a educação e a saúde”, discursou no carro de som principal da Marcha a presidente do ANDES-SN, Marinalva Oliveira.

Acampamento na Esplanada

Para marcar esses dois meses em greve, os manifestantes ocuparam a Esplanada na última segunda-feira (16), quando foram levantadas cerca de quarenta barracas em um acampamento improvisado no gramado do local. Na terça-feira, um ato político iniciou as manifestações para a marcha de hoje.

Para João Paulo Ribeiro, da Fasubra, a marcha e o acampamento trazem a unidade das centrais sindicais e do movimento social. De acordo com ele, mais de 5 mil trabalhadores estão dormindo no acampamento. “Queremos ser ouvidos e queremos que o trabalhador seja valorizado nesse país”, afirmou.

Negociações: faltam propostas para servidores

No último dia 13/07, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, recebeu membros do comando de greve dos docentes para apresentar uma proposta e negociar as reivindicações dos professores das federais.

“Em relação a nossa categoria o governo decidiu apresentar uma proposta, o que é positivo e estamos negociando. Porém, continuamos solidários à causa de todos os servidores públicos brasileiros, todos devem ter propostas e melhorias”, explicou Eduardo Rolim, presidente do Proifes.

Apesar dos avanços aparentes nas negociações com os docentes, as demais entidades representantes da greve dos servidores públicos ainda não tiveram suas demandas atendidas e nem houve sinalização de negociação por parte do governo.

O presidente da UNE, Daniel Iliescu, atenta para a necessidade de atender às reivindicações de todo o setor. “Essa é uma greve de todo o funcionalismo público, não só da educação. É uma campanha generalizada de vários trabalhadores. Por isso a UNE reivindica, também, que se abra negociação com os técnico-administrativos, uma categoria fundamental para a universidade brasileira, e demais servidores em greve”.

Os estudantes foram recebidos pelo MEC ontem (17/07). Como principais demandas do movimento estudantil na greve, a UNE reivindica mais assistência estudantil, melhores condições de infraestrutura nas universidades e contratação imediata de mais servidores.

Renata Bars