Em 2013 durante o 56º Congresso Nacional dos Estudantes de Agronomia a FEAB (Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil), histórica entidade de área, decidiu voltar a reconhecer a União Nacional dos Estudantes, como única entidade representativa dos estudantes. O 62º Conselho de Entidades Gerais da UNE, realizado nos dias 30,31 de maio e 1 de junho, foi a primeira participação da FEAB desde sua volta. Confira a contribuição da Federação para o debate:
FEAB NO 62º CONSELHO DE ENTIDADE GERAIS DA UNE
A Federação de Estudantes de Agronomia do Brasil – FEAB – é uma executiva de área organizada há mais de 40 anos atuando no âmbito de organização dos estudantes desse curso. Nossa executiva esteve por muito tempo inserida na UNE contribuindo para o fortalecimento do movimento estudantil em nível nacional através da organização dos estudantes de Agronomia em suas respectivas universidades como também acumulando e discutindo em torno de pautas sobre a formação profissional, o modelo de produção agrícola e no âmbito das questões ambientais.
A partir de 2007 nos ausentamos dos encontros e fóruns da UNE, também nos afastando dos principais debates do movimento estudantil nacional, porém foi um período que fortalecemos mais nossos laços com os movimentos sociais do campo e com a Via Campesina Brasil.
Em 2013 voltamos a reconhecer a União Nacional dos Estudantes como representação dos estudantes brasileiros. O 62º CONEG é o primeiro espaço que a Federação participa depois da sua volta a UNE, e por reconhecemos a importância desse fórum e da construção da plataforma UNE Brasil, trazemos alguns posicionamentos e contribuições de acordo com o nosso acúmulo e nossa luta diária:
1. Entendemos que a UNE deve se posicionar em apoio a uma Reforma Agrária ampla no nosso país, e também com a criação de políticas na defesa e fortalecimento da agricultura familiar e do fortalecimento de outro modelo de produção agrícola, embasado na agroecologia. O posicionamento da entidade deve ser contrário aos avanços de políticas de expansão do agronegócio, um modelo atrasado e devastador que se baseia na destruição de nossos recursos naturais, expulsando os trabalhadores do campo, produzindo alimentos contaminados e influenciando o processo de flexibilização de leis trabalhistas, bem como de leis favoráveis aos interesses das grandes empresas de agrotóxicos, de organismos geneticamente modificados e atuando na flexibilização de leis ambientais como é o caso da novo Código Florestal. O agronegócio e a bancada ruralista deve ser assumida pela UNE como uns dos maiores inimigos dos povo brasileiro!
2. No último período ocorreu o fechamento de mais de 40 mil escolas no campo brasileiro! Acreditamos que a UNE deve indicar na plataforma UNE Brasil a necessidade de manutenção e reabertura das escolas no campo. A educação no campo e o direito da juventude camponesa à educação deve ser pautada em todos os espaços da UNE. E que a entidade se coloque na defesa da educação do campo em todos os níveis, da educação básica ao ensino superior. Colocando-se na defesa também do PRONERA, pelo seu fortalecimento e expansão!
3. As universidades brasileiras que se expandiram e se interiorizaram no último período, precisam passar por uma Reforma Universitária que também modifique as estruturas, métodos e modelos pedagógicas e curriculares. O desmonte do tripé universitário deve ser mais debatido e pautado pela UNE, e colocamos a necessidade da entidade tomar para si a campanha que estamos construindo sobre formação profissional, que é a Campanha pela Curricularização da Extensão Universitária.
Acreditamos que temos a necessidade de uma outra formação profissional que coloque os estudantes em contato com a realidade, necessidades e problemas da sociedade brasileira.
4. A flexibilização do Código Florestal vem sendo responsável por mais desmatamento e por mais saques, destruição e exploração dos nossos recursos naturais. Diante de tantos estudos que vem comprovando os pontos negativos dessa flexibilização, a Plataforma UNE Brasil deve pautar uma revisão desse novo código!
5. Pelo direito à terra, à segurança, à educação, respeito e nenhum direito a menos para os indígenas, quilombolas e povos tradicionais, que vem sendo atacados por fazendeiros, grandes empresas do hidro e agronegócio, madeireiras, pela mineração e pela bancada ruralista. A bancada ruralista ataca os direitos dos povos por meio de diferentes instrumentos no Congresso brasileiro! Há inúmeras propostas de lei e de emendas constitucionais que são contrárias aos direitos dos povos, as PEC’s 215, 038, 237 são exemplos. Onde temos claro que os ruralistas tentam fazer com as leis igual o que fizeram com o código florestal e flexibilizar os direitos dos povos tradicionais!
Certos que estamos no mesmo rumo, deixamos a nossa contribuição, esperando que consigamos avançar na construção de um Brasil mais justo e melhor! Marcamos nossa volta a UNE, marcamos a retomada do espaço das executivas dentro dessa importante entidade. O momento é de lutas e unidade! Sigamos em frente com as bandeiras que nos UNE!
São Paulo, 01 de junho de 2014
Federação de Estudantes de Agronomia do Brasil