Familiares e amigos das 242 vítimas do incêndio na boate Kiss realizaram uma caminhada no último sábado (20/07) em Santa Maria, localizada a 290 Km da capital Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. O protesto saiu da Praça Saldanha Marinho, no centro da cidade, e foi até a porta da casa noturna onde ocorreu a tragédia no começo deste ano. O protesto contou com integrantes da Associação dos Familiares das Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria (AVTSM).

O principal motivo para a manifestação foi o resultado do inquérito civil do Ministério Público, que responsabilizou quatro bombeiros e isentou servidores e o prefeito da cidade pela tragédia. A liberdade dos réus no processo criminal também é contestada pela associação. Inconformado, um dos pais arremessou cones contra o prédio da boate e precisou ser contido pela polícia. Uma mãe também teve de ser amparada por um policial militar.

Nesta quarta-feira (24), haverá uma reunião do Movimento Santa Maria Luto à Luta para planejar as pautas das manifestações que devem ocorrer na próxima semana.

 Em São Paulo

Paulistanos também protestaram sábado (20/07) no vão livre do Masp, na Avenida Paulista, em São Paulo, para cobrar punição aos envolvidos no incêndio da boate Kiss. O ato foi organizado pelo consultor de informática Paulo Tadeu Nunes de Carvalho, pai do representante comercial Rafael Paulo Nunes de Carvalho, 32 anos, que morreu asfixiado após inalar a fumaça. 

Rafael fez aniversário dois dias antes da tragédia. Ele viajou a Santa Maria para reencontrar pessoas que conheceu durante intercâmbio de quatro anos no exterior. Ele havia voltado ao Brasil em 2011.

 O acidente

O incêndio na boate Kiss matou 242 pessoas e feriu 116 outras em uma casa noturna da cidade de Santa Maria, no estado do Rio Grande do Sul. O acidente ocorreu na madrugada do dia 27 de janeiro de 2013 e foi causado quando um integrante de uma banda que se apresentava no local acendeu um sinalizador. A imprudência e as más condições de segurança ocasionaram a morte de mais de duas centenas de pessoas.

O estudante da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Gabriel Vaccari, conta que durante as manifestações de junho por todo o país, em Santa Maria os grupos de familiares e amigos das vítimas se juntaram com as forças do movimento estudantil e seguiram com a bandeira do transporte público além de dialogar com o sentimento de indignação da população da cidade. As marchas reuniram 40 mil pessoas nas ruas e puxavam o grito da justiça, o que deu mais força e mais apelo para as ações.

Após três mobilizações, houve a ocupação da Câmara com o pedido do passe livre e mobilização dos pais das vítimas da boate Kiss, que acompanham processo desde o início.

Para Gabriel, agora Santa Maria está no “período pós-ocupação”. Há relatos de investigação com membros da banda e empresários da boate, mas a população da cidade exige investigações com os políticos também.
Da Redação