Na última segunda-feira (19/11), um triste fato marcou a Universidade Federal do Rio Grande do Sul: o estudante de Engenharia Química, Zilmar Pereira, assistia a uma aula no Campus do Vale, no bairro Agronomia, quando teve um mal súbito, e após 40 minutos de espera pelo socorro, faleceu.
Situação semelhante também ocorreu nas Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU) de São Paulo, quando em 24 de agosto uma estudante do curso de Ciências Contábeis faleceu na sala de aula, no campus Itaim Bibi.
Em ambos os casos as universidades alegam ter prestado o devido socorro.
No entanto, para o diretor da UNE e integrante do DCE da UFRGS, Rodolfo Mohr, a estrutura oferecida é insuficiente. ‘’Há muita coisa a se fazer. Nós, do DCE, entregamos uma carta à reitoria contendo uma série de medidas concretas para melhorar a possibilidade de atendimento adequado em casos como esse. Medidas como treinamento de primeiros socorros, a exigência de um desfibrilador portátil dentro do campus são atitudes que podem reverter tais acontecimentos’’, explicou.
Em nota, a UFRGS informou que no local funciona um ambulatório para primeiros atendimentos e promoção da saúde, mas que não é dotado de equipamentos para procedimentos de urgência médica, sendo necessário o atendimento especializado do SAMU.
Em entrevista ao jornal Estadão, a assessoria de imprensa da FMU informou que possui um desfibrilador com inspetores habilitados a usá-lo, mas que também conta com o atendimento do serviço de atendimento estadual.
NÃO HÁ ATENDIMENTO NA UNIVERSIDADE, O QUE FAZER?
A ocorrência dessas fatalidades levanta o questionamento quanto à necessidade de haver ambulatórios preparados nos campus universitários.
De acordo com o Ministério da Educação não há uma legislação vigente que obrigue a implantação de postos de atendimento nas instituições. A existência ou não de ambulatórios fica no âmbito da autonomia universitária, obedecendo às regras de cada município.
Já para o Ministério da Saúde, qualquer instituição de ensino é obrigada a chamar socorro profissional o mais depressa possível quando um estudante se encontra em situações graves. Contudo, a identificação da gravidade de um caso pode ser complicada. O mais indicado então, seria chamar uma ambulância.
No dia 26 de junho, representantes de 44 DCE´s de federais e lideranças da UNE reuniram-se com o ministro da educação Aloizio Mercadante para entregar a ele uma ampla pauta de reivindicações específicas de cada universidade. Entre as exigências estão a criação de postos médicos e melhorias na infra-estrutura das instituições, com garantias de assistência médica aos estudantes.
‘’Medidas efetivas e de prevenção à segurança nos campi, especialmente nos mais afastados são imprescindíveis para a assistência estudantil’’, afirmou Mohr.
Renata Bars