A tradicional procissão em comemoração ao Nosso Senhor do Bonfim, festejada oficialmente na segunda quinta-feira do mês de janeiro, recebe um tempero especial este ano. No próximo dia 12, A União dos Estudantes da Bahia (UEB) e a Associação Baiana Estudantil Secundarista (ABES) se unem para promover um ato político, durante a Lavagem do Bonfim, por um transporte público de qualidade.
Os estudantes se concentrarão às 6h da manhã na Igreja da Conceição da Praia, em Salvador. O horário combinado foi estrategicamente programado para coincidir com a chegada do prefeito João Henrique e o governador Jaques Wagner, que tradicionalmente caminham ao lado da população ao longo dos oito quilômetros do cortejo.
É nesse dia que todos os que sonham ocupar a cadeira principal do Palácio Thomé de Souza testam sua popularidade. Por isso, os estudantes querem aproveitar a deixa para protestar pelas condições do transporte em Salvador e fazer um apelo pela meia passagem intermunicipal e passe livre estudantil municipal.
“Queremos chamar a atenção da sociedade e dos nossos representantes políticos para as nossas pautas, que engendra também a situação do transporte público em Salvador e perpassa a linha de ônibus, chegando ao Elevado Lacerda, aos planos inclinados e à criação de mais pontos de integração no término do metrô. Protestamos também pela criação de ciclovias e a mobilidade urbana para deficientes físicos”, avaliou Onã Rudá, diretor da UEB.
Lavagem do Bonfim
A Lavagem das Escadarias do Bonfim é considerada a segunda maior manifestação popular da Bahia, perdendo apenas para o Carnaval. O ritual, que se repete todos os anos desde 1754, reúne milhares de pessoas e acontece sempre na segunda quinta-feira do mês de janeiro.
O festejo começa às 10 da manhã, quando os participantes se concentram em frente à Igreja da Conceição da Praia para dar início a uma caminhada de 8 km até a Igreja de Nosso Senhor do Bonfim. O cortejo é comandado por baianas com trajes típicos – turbantes, saias engomadas, braceletes e colares – que carregam vasos com água de cheiro. Atrás delas vem o bloco Filhos de Gandhi e uma multidão de fiéis. Todos se vestem de branco, que á a cor de Oxalá, o deus Yoruba sincretizado com Senhor do Bonfim.
Depois de pouco mais de uma hora, a procissão chega até a escadaria, onde muitos espectadores a esperam. Originalmente o interior da Igreja era lavado, mas hoje a água é ritualisticamente derramada fora de Nosso Senhor do Bonfim, num gesto simbólico de purificação. As baianas molham com água de cheiro os degraus da escadaria, onde também depositam flores, enquanto todos cantam o hino do Senhor do Bonfim.
Patricia Blumberg