Os Centros Acadêmicos (CAs) de História, Comunicação Social, Psicologia, Biologia e Pedagogia do Centro Universitário CESMAC, em Maceió, realizaram uma manifestação nesta sexta-feira (14) contra a truculência da universidade.

Os CAs haviam se unido para promover o 1º #OCUPEAFECOM, que aconteceria na noite do dia 14 até o dia 15 de novembro. Ocupados no prédio IV, o encontro contaria com debates políticos, exibição de documentários, atividades acadêmicas e culturais. A proposta havia sido recusada pela instituição, mas os estudantes resolveram permanecer com a programação como “forma de resistência à repressão”, segundo nota publicada nas redes sociais dos Centros Acadêmicos.

No dia do evento, a CESMAC barrou a entrada de qualquer estudante que não estivesse portando o cartão de acesso à faculdade. A instituição solicitou a presença ofensiva do BOPE e moveu um processo judicial contra três alunos do curso de comunicação social que dialogavam com os seguranças.

De acordo com a estudante e membro do Centro Acadêmico de História, Isadora Aguiar, “o CESMAC não abre espaço para dialogar e solucionar problemas mínimos de estrutura”. Isabela também denunciou fechamentos de cursos e sucateamento:

“Está em processo de fechamento de cursos que não atendem a demanda de mercado. Uma instituição dita filantrópica, que tem o dever de cumprir com ações sociais não pode só se preocupar em obter mais lucros. Isso acarreta na precarização do ensino e nas condições de trabalho dos professores. Nós, estudantes de história, estamos na luta e sabemos que as mudanças só ocorrerão quando estas instituições estiverem sendo fiscalizadas e controladas.”

Confira a nota de repúdio ao posicionamento do Centro Universitário CESMAC escrita pelos estudantes:

O Cesmac que você não vê, o Cesmac que você não conhece

Vimos todos e todas publicamente manifestar, o total REPÚDIO a atitude tomada pelo Centro Universitário Cesmac, que impetrou uma ação judicial contra três alunos do curso de Comunicação Social do Campus IV – Professor Elias Passos Tenório, antiga Fecom, no Farol, pela tentativa de organização da atividade “#OcupeaFecom”, que iria ocorrer ontem(14).

O #OcupeaFecom foi iniciado, após o veto da Instituição em apoiar a realização da atividade “A vivência que queremos”. Essa atividade de caráter pedagógico, promoveria várias discussões, como: racismo na mídia, o movimento estudantil na faculdade privada, democratização da comunicação. Além de levantar questões que norteiam as dificuldades estruturais e acadêmicas encontradas no Campus IV. A priori, apresentamos a proposta a coordenação de curso de Comunicação, porém fomos vetados pela Instituição. 

Por isso, como forma de resistência, e com o total apoio do Centro Acadêmico Edson Souto, História; Centro Acadêmico Martin – Baró, Psicologia; Centro Acadêmico Mandacarú, Biologia; Centro Acadêmico Graciliano Ramos, Comunicação; da Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social – Enecos; e da União Nacional do Estudantes – UNE resolvemos manter a programação.

A Instituição alegou nos autos processuais que a organização do evento não efetuou “qualquer pleito formal solicitando a autorização para o uso de suas instalações”, o que não é verdade. Antes mesmo da programação do #OcupeaFecom começar, os alunos supostamente considerados líderes do movimento, foram surpreendidos com a decisão judicial. Nem o tempo para recorrer da decisão foi dado. Ou seja, o que só configura a criminalização do Movimento Estudantil dentro de um estado democrático de direito.

O não cumprimento dessa decisão acarretaria em várias consequências, ao exemplo do pagamento de uma multa de R$ 1.000 (mil reais) para cada dia de ocupação.

Destacamos que o Centro Universitário Cesmac barrou a entrada de estudantes que não possuíam a carteira de acesso da Instituição. Os alunos da Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social – ENECOS foram agredidos moralmente por quatro seguranças da Fecom, que exigiram a abertura de bolsas e sacolas para possível revista. 

Reprimir ESTUDANTES, repetimos, de forma desproporcional, excessiva, NÃO VAI – DE FORMA ALGUMA – NOS CALAR!

Repudiamos qualquer tentativa de inibição das manifestações legítimas de nós, que somos apenas ESTUDANTES. Reiteramos nossa posição de continuar na luta por melhores condições de ensino, pela valorização de nossos cursos, contra o DCE – QUE NÃO NOS REPRESENTA, contra o sucateamento e conseqüente FECHAMENTO da faculdade! 

* Assinam este documento: Centro Acadêmico Graciliano Ramos – gestão Arremate; Centro Acadêmico Edson Souto, História; Centro Acadêmico Martin – Baró, Psicologia; Centro Acadêmico Mandacarú, Biologia.

Da Redação