Cerca de 40 estudantes da Universidade Federal do Pampa, do Campus Jaguarão, no Rio Grande do Sul, estão ocupando as instalações da universidade há cinco dias. Segundo Ana Lúcia Velho, vice-presidente da UNE no RS, o que acontece na cidade de Jaguarão “é uma série de estudantes que não tem como se manter para estudar”. O campus da Unipampa-Jaguarão tem cerca de 900 estudantes, existe há seis anos e segundo os alunos apesar do prédio ter apenas três anos já apresenta muitos problemas na estrutura física como rachaduras e infiltrações.

A estudante de história Kenya Martins de Paiva, explica que a principal reivindicação dos alunos desde o ano passado é mais diálogo com a reitoria da instituição. “Já fizemos de tudo, não sabemos mais o que fazer para termos garantias”, afirma.

O movimento Ocupa Unipampa Jaguarão tem se organizado, principalmente entre alunos dos cursos de Produção e Política Cultural, Licenciatura em História, Turismo, Licenciatura em Letras e Pedagogia. De acordo com a estudante os campi da Unipampa são separados no estado, o que dificulta a articulação e organização entre os alunos, em um DCE ou Centros Acadêmicos.

Kenya conta que na última quinta-feira (04/04) os estudantes foram recebidos pela reitora para uma possível negociação. A reitoria recebeu deles a nota da ocupação esclarecendo os motivos do ato e os manifestantes pediram um detalhamento dos prazos para terem suas reivindicações atendidas. Mas segundo a estudante o único papel apresentado pela assessora jurídica enviada pela administração da instituição não continha nada de novo. “Decidimos continuar a ocupação porque não entendemos aquilo como um avanço”, afirmou.

Assistência estudantil já

Os estudantes agora querem a efetivação dos seus direitos e para terminar a ocupação reivindicam o cronograma de obras do Restaurante Universitário (RU), da Casa do Estudante e ampliação do campus; comprovantes das compras de materiais e equipamentos para o RU; comprovação da empresa que vai construir a Casa do Estudante; garantia de preço baixo e de funcionamento do RU sete dias por semana; a contratação urgente de professores, (segundo os estudantes existe perigo dos formandos de 2013 não concluírem o curso no tempo normal pela falta de docentes); a construção de laboratórios e espaço físico de convivência para os alunos.

Os manifestantes cobram ainda autonomia e gestão participativa na Casa do Estudante, que não está incluso no projeto. Já para o RU eles querem também abrir à utilização de servidores terceirizados da universidade e comunidade local.

De acordo com Kenya a situação é realmente desesperadora e triste. “A cada dia que passa a gente vê os colegas indo embora por não terem condições de se manter, estamos sem garantias, sem saber como vai ser amanhã. A gente não pode mais esperar mais. Quem precisa comer e de lugar para morar não pode esperar”, destacou.

Cristiane Tada